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Quando um jogador pode abandonar a partida, como fez Dier, do Tottenham?

Lei em Campo

Andrei Kampff é jornalista formado pela PUC-RS e advogado pela UFRGS-RS. Pós graduado e mestrando em Direito Desportivo, é conselheiro do Instituto Ibero Americano de Direito Desportivo e criador do portal Lei em Campo. Trabalha com esporte há 25 anos, tendo participado dos principais eventos esportivos do mundo e viajado por 32 países atrás de histórias espetaculares. É autor do livro "#Prass38".

30/09/2020 12h11

Por Thiago Braga

Durante o segundo tempo da partida entre Tottenham-ING e Chelsea-ING, válida pelas oitavas de final da Copa da Liga Inglesa, o volante Eric Dier disparou em direção a linha lateral do campo. Mas o objetivo não era recuperar a bola e sim correr para o vestiário para atender a um "chamado da natureza".

"Para sair de campo, basta pedir autorização ao árbitro. Para voltar ao campo, também precisa pedir autorização", explica Renata Ruel, ex-árbitra e colunista do Lei em Campo.

A previsão está na Regra 3 no Livro de Regras do Futebol, estabelecido a partir das determinações da IFAB (International Football Association Board), órgão que regulamenta as regras do futebol.

No item 8, o documento descreve que "se um jogador que precisa de autorização do árbitro para regressar ao campo, regressar sem sua autorização, o árbitro deve: interromper o jogo (mas não imediatamente, se o jogador não interferir no jogo ou em um oficial de arbitragem ou se uma vantagem puder ser concedida); advertir o jogador com cartão amarelo por ter entrado no campo de jogo, sem a sua autorização".

Se o árbitro interromper o jogo, seu reinício deve ser com um tiro livre direto, executado do local da interferência; com um tiro livre indireto executado do local em que a bola se encontrava no momento da interrupção, se não houver interferência.

"Eu acho que qualquer pessoa pode imaginar [o que aconteceu]. Estou bem. Não tem nada que eu possa fazer a respeito. Quando você tem de ir, você tem de ir. Para algumas coisas, você não pode parar", disse Dier.

A imagem dele correndo pelo túnel e depois sendo buscado pelo técnico José Mourinho rodou o mundo. Mas está longe de ser um caso isolado.

Nos Jogos Olímpicos de Atlanta, em 1996, Ronaldo Fenômeno sentiu vontade de ir ao banheiro e aliviou a bexiga durante a partida contra a Hungria. Outros casos clássicos são do zagueiro Sérgio Ramos, em jogo do Real Madrid, e do ex-atacante inglês Gary Lineker, na Copa do Mundo da Itália, em 1990, na partida contra a Irlanda.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL