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Novos e-mails contestam depoimentos de dirigentes do Manchester City ao CAS

Lei em Campo

Andrei Kampff é jornalista formado pela PUC-RS e advogado pela UFRGS-RS. Pós graduando em Direito Esportivo e conselheiro do Instituto Ibero Americano de Direito Desportivo e criador do portal Lei em Campo. Trabalha com esporte há 25 anos, tendo participado dos principais eventos esportivos do mundo e viajado por 32 países atrás de histórias espetaculares. É autor do livro ?#Prass38?.

31/07/2020 04h00

Por Ivana Negrão

Após a divulgação na íntegra da decisão da Corte Arbitral do Esporte (CAS) que revogou a suspensão de dois anos fora das competições europeias dada ao Manchester City pela Uefa, no ano passado, outros documentos vieram à tona. A revista alemã "Der Spiegel" apresentou novos e-mails do Football Leaks que comprometem Simon Pearce, membro do conselho diretor do clube inglês, e outros gestores.

O dirigente negou categoricamente que havia organizado pagamentos à Etihad, patrocinadora do Manchester City. Mas, em muitas trocas de mensagens, ele é quem mantém contato com a diretoria das empresas, controla os fluxos de caixa e orienta sobre faturas. Muitos e-mails não são da conta do clube de futebol, mas da agência governamental de Abu Dhabi, segundo a revista alemã.

"Curioso, porque a decisão da CAS indica que os e-mails vazados no Football Leaks eram editados, a partir de uma comparação com os e-mails originais apresentados pelo City. O painel arbitral baseou-se nos documentos supostamente originais apresentados pelo clube, não naqueles vazados", lembra Pedro Henrique Mendonça, advogado especialista em direito esportivo.

O entendimento da Corte é que não houve irregularidade no contrato entre clube inglês e Etihad. "A maioria dos membros do painel considera que os acordos de patrocínio são negociados pelo valor justo. Nenhum acordo de evidência está atrasado e o City não tentou encobrir qualquer suposta violação", diz o documento divulgado pelo CAS.

A Corte não conhecia todos os e-mails. "A Spiegel apenas os retirou dos dados do Football Leaks depois que o CAS publicou as declarações das testemunhas", esclarece a revista.

Procurado para comentar as novas mensagens sobre o caso, o dirigente do Manchester City, presidente da agência governamental, a Autoridade de Assuntos Executivos (EAA), e, portanto, o homem forte do príncipe herdeiro de Abu Dhabi, Khaldoon Al Mubarak, não respondeu. Um porta-voz descreveu os questionamentos da Spiegel sobre as novas descobertas como uma "tentativa cínica" de "minar e processar um procedimento do CAS, ordenado e concluído" em público. A posição do clube é não comentar sobre documentos que foram supostamente obtidos criminalmente e citados sem contexto.

"Caso se comprove a falsidade da documentação apresentada pelo City, o que inclusive poderia demandar uma ação de natureza criminal, é possível buscar a anulação da sentença arbitral junto ao Tribunal Federal Suíço", finaliza Pedro Henrique Mendonça.

Até lá, mesmo com as novas denúncias, o Manchester City continua autorizado a participar das competições europeias nas próximas temporadas. Nessa edição da Uefa Champions League, o clube inglês enfrenta o Real Madrid pelo jogo da volta das oitavas-de-final.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL