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30 anos de uma Copa que transformou futebol.Regras mudam para melhorar jogo

Lei em Campo

Andrei Kampff é jornalista formado pela PUC-RS e advogado pela UFRGS-RS. Pós graduando em Direito Esportivo e conselheiro do Instituto Ibero Americano de Direito Desportivo e criador do portal Lei em Campo. Trabalha com esporte há 25 anos, tendo participado dos principais eventos esportivos do mundo e viajado por 32 países atrás de histórias espetaculares. É autor do livro ?#Prass38?.

28/07/2020 10h30

Quase um paradoxo, há trinta anos uma das Copas mais mornas (a mais?) da história acabou sendo decisiva para tornar o futebol mais dinâmico. O Mundial da Itália teve a pior média de gols da competição, e a FIFA e a International Board precisaram agir. Regras mudam no esporte para proteger atletas, manter equilíbrio esportivo e, também, para deixar o jogo mais atraente.

Com uma média de 2,21 gols por jogo, o principal evento esportivo da modalidade se mostrou mais monótono, com sistemas defensivos usando estratégias eficazes para evitar o sucesso ofensivo do adversário. Era preciso mudar o jogo, já que o objetivo maior do esporte, o gol, se mostrou difícil de alcançar nos gramados italianos.

O futebol não perdeu tempo e criou três novas regras para deixar o jogo mais ofensivo.

As mudanças nas regras

A primeira mudança nas regras entrou em vigor no dia 25 de julho, 17 dias após a Alemanha conquistar o título mundial. Uma nova regra do impedimento, em que o atacante que estivesse na mesma linha do penúltimo defensor passaria a estar em condição legal de jogo.

A segunda mudança entrou em vigor em 1992, nos Jogos Olímpicos de Barcelona. A partir da Olimpíada o goleiro ficou proibido de pegar a bola recuada com as mãos. A estratégia era muito usada pelas equipes que queriam deixar o tempo passar.

A terceira mudança entrou em vigor na Copa seguinte, nos Estados Unidos em 1994. Para estimular as equipes a buscarem os gols e a vitória, a partir daquele Mundial a vitória deixou de valer dois pontos, e passou a valer três. Empatar deixou de ser um bom negócio. A regra já era usada na Inglaterra e em outros países menores.

As mudanças atingiram o objetivo. O futebol se tornou mais ofensivo dinâmico e ofensivo. E com isso, atraente. Não houve mais Copa com um número tão baixo de gols por partida.

Esse episódio histórico mostra mais uma forma de como as leis e os regulamentos esportivos sofrem transformações com o tempo.

Direito e esporte

A organização de quase tudo passa por regras. Em casa não é preciso que sejam escritas, nem complexas. Elas dizem respeito a um círculo limitado de pessoas que vão estar informadas de qual é a organização que precisa ser respeitada. O Théo e a Lara, meus filhos de 4 e 7 anos, já sabem que, se um bater no outro, nada de desenho na TV, por exemplo.

Agora, quando envolve mais gente, é necessário criar regulamentos. Num universo transnacional como o da Lex Sportiva, é preciso haver critérios, regras e leis que garantam a segurança, física e esportiva, aos envolvidos no esporte, mantenham o indispensável equilíbrio esportivo, mas também deixem o esporte mais emocionante.

E essas regras são estabelecidas de diferentes maneiras, por meio do costume, da prática, dos diálogos, das provocações jurídicas que o próprio esporte vai sofrendo e, também, a partir da leitura de que o jogo precisa evoluir para se manter atrativo.

E esse exercício necessário será sempre uma forma de se aprimorar o jogo, de torná-lo mais atrativo; assim como as novas tecnologias, que também têm trazido novidades ao esporte. A implementação do VAR é um exemplo no futebol, como outros recursos tecnológicos têm sido usados no tênis, basquete, futebol americano....

O esporte evolui, assim como a sociedade. E o direito e as regras precisam acompanhar essa evolução. Seja para tornar o jogo mais justo, mais seguro ou mais atrativo, como nas mudanças que vieram depois daquela Copa sem graça e com poucos gols de 1990.

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