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Premier League inova e lança sistema de denúncia para abusos online

Lei em Campo

Andrei Kampff é jornalista formado pela PUC-RS e advogado pela UFRGS-RS. Pós graduando em Direito Esportivo e conselheiro do Instituto Ibero Americano de Direito Desportivo e criador do portal Lei em Campo. Trabalha com esporte há 25 anos, tendo participado dos principais eventos esportivos do mundo e viajado por 32 países atrás de histórias espetaculares. É autor do livro ?#Prass38?.

24/06/2020 13h53

Jogadores que sofrerem abusos discriminatórios graves online poderão denunciá-los através de um novo sistema lançado pela Premier League. O sistema também estará aberto a treinadores, gerentes e familiares de todos trabalhadores dos clubes.

O executivo-chefe da Premier League, Richard Masters, disse ao The Guardian: "O abuso discriminatório on-line é inaceitável em qualquer estilo de vida e resolver esse problema deve ser uma prioridade. Existem muitos casos de jogadores de futebol e suas famílias recebendo mensagens discriminatórias apavorantes; ninguém deveria ter que lidar com isso."

Depois da morte do negro George Floyd nos Estados Unidos por um policial, a Premier League deu seu apoio ao movimento Black Lives Matter, que busca igualdade para os negros em todas as áreas da vida. Os clubes tiraram o nome dos atletas das costas das camisas e colocaram o do movimento. Além disso, os jogadores também se posicionaram de maneira coletiva contra o preconceito.

O novo sistema de denúncias permitirá que as mensagens diretas abusivas sejam revisadas e relatadas à plataforma de mídia social em questão. Depois de analisadas as denúncias, e sendo apropriado, encaminha ações legais

Masters acrescentou: "Recentemente, fomos informados do abuso racista online totalmente inaceitável recebido por Ian Wright. A Premier League condena veementemente esse comportamento profundamente ofensivo. Implantamos imediatamente nosso sistema de denúncia e apoiaremos Ian em qualquer tentativa de levar os infratores à justiça."

Segundo o advogado, especialista em Compliance e colunista do Lei em Campo, Nilo Patussi, "posturas como essa ajudam no combate ao preconceito. E, além disso, reforçam a reputação e compromissos importantes da instituição junto à opinião pública e parceiros." Fernando Monfardini, advogado, consultor de compliance e colaborador do Lei em Campo, vai na mesma linha: "essa medida adotada pela Premier League demonstra o posicionamento da entidade, o que ela espera de seus membros e ainda disponibiliza um canal para apuração e suporte as vítimas. É um exemplo que pode ser replicado."

Recentemente a FIFA se posicionou em relação às manifestações de combate ao preconceito no futebol, orientando as entidades filiadas a não punir manifestações de atletas que condenam o racismo. Já o Comitê Olímpico, depois de uma pressão dos atletas, também se manifestou dizendo que pode rever a regra 50 da carta Olímpica que proíbe protesto político, religioso ou racial nos Jogos.

É preciso entender que o combate ao preconceito é uma luta pela defesa de direitos humanos. E isso faz parte do movimento esportivo. Esta na carta olímpica e no estatuto da FIFA.

Respeitar esse entendimento, e entender a natureza do esporte.

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