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FIFA passa orientação para federações sobre a volta, com ajuda de atletas

Lei em Campo

Andrei Kampff é jornalista formado pela PUC-RS e advogado pela UFRGS-RS. Pós graduando em Direito Esportivo e conselheiro do Instituto Ibero Americano de Direito Desportivo e criador do portal Lei em Campo. Trabalha com esporte há 25 anos, tendo participado dos principais eventos esportivos do mundo e viajado por 32 países atrás de histórias espetaculares. É autor do livro ?#Prass38?.

29/05/2020 18h02

A FIFA vai distribuir às suas 211 federações filiadas uma espécie de manual com o propósito de ajudar a planificação para retomada do futebol, com cuidados e orientações para treinos individuais e em grupo. Detalhe importante, esse manual foi desenvolvido com a colaboração da Organização Mundial da Saúde (OMS), Associação dos Clubes Europeus (ECA), Fórum Mundial das Ligas de Futebol, European Leagues.e o sindicato dos atletas profissionais (FIFpro).

A ideia é ajudar as entidades filiadas a prepararem o retorno, mas a entidade maior do futebol lembra que federações e ligas devem sempre "dialogar" com as autoridades sanitárias competentes e realizar uma "exaustiva avaliação de riscos" que determine "se é seguro retomar a atividade".

"As recomendações do grupo de trabalho vão ser implementadas junto com as diretrizes nacionais e internacionais em matérias de saúde pública e concentrações", explica o organismo dirigido por Gianni Infantino.

O objetivo da colaboração "não é outro" além do de "proteger" a saúde de todos os "atores" do futebol, avaliar os riscos e considerar os fatores necessários para que o futebol profissional e amador possam voltar aos campos de forma "segura".

É preciso destacar dois elementos importantes nesse procedimento da FIFA.

Primeiro, a participação dos atletas. É sempre importante que os protagonistas do jogo tenham espaço na mesa de discussões sobre o esporte. Mas isso se torna indispensável quando se trata da saúde deles. No Brasil, os atletas ainda estão ausentes dessas conversas importantes.

Outro elemento importante, e que tem sido destacado pela FIFA: a prioridade é a saúde de todos. E nesse momento, o Estado se torna protagonista.

Coma se tem algo maior a proteger, a vida das pessoas, é natural que esporte e governos dialoguem, ouvindo autoridades especializadas em saúde pública, para decidir sobre a volta do esporte.

Como bem diz o professor Wladimyr Camargos, colunista do Lei em Campo e pesquisador dessa relação entre Estado e esporte, "o respeito aos Direitos Humanos é elemento interno, não externo, da autonomia esportiva. É autolimite próprio da Lex Sportiva".

Mas como muitos dirigentes ainda não entenderam a necessidade de se proteger direitos maiores, acredito ser mais do que necessária a participação do Estado nessa hora.

Mas a FIFA tem mostrado o contrário, dando a real importância a proteção dos direitos humanos nesse momento de crise. E esse é um passo importantíssimo para proteger a necessária autonomia esportiva.

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Lei em Campo, por Andrei Kampff