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Champions volta dia 8 de agosto, e jogo único nas quartas. Proposta na mesa

Lei em Campo

Andrei Kampff é jornalista formado pela PUC-RS e advogado pela UFRGS-RS. Pós graduando em Direito Esportivo e conselheiro do Instituto Ibero Americano de Direito Desportivo e criador do portal Lei em Campo. Trabalha com esporte há 25 anos, tendo participado dos principais eventos esportivos do mundo e viajado por 32 países atrás de histórias espetaculares. É autor do livro ?#Prass38?.

19/05/2020 10h42

Você imagina a Liga dos Campeões sendo decidida em apenas um jogo nas quartas de final, e com a fase decisiva com jogos em campo neutro? Segundo informação do jornal espanhol "AS" deste terça (19/05) a Liga dos Campeões poderá recomeçar a partir do dia 8 de agosto, e dessa forma.

A UEFA, a Associação de Clubes (ECA) e as Ligas Europeias apostam em um formato rápido para encerrar a temporada das competições continentais.

A ideia é concluir a Liga dos Campeões num jogo único nas quartas de final, depois de terminado as oitavas. A fase final seria disputada entre os 4 finalistas em Istambul (Turquia), conforme o jornal espanhol.

O formato prevê o retorno dos jogos no dia 6 de agosto com a Liga Europa, e com a Liga dos Campeões começando dois dias depois, dia 8.

Este calendário, se for aprovado, necessariamente teria de adiar o início da temporada 2020/2021, já que os jogadores de futebol teriam que tirar férias em setembro.

Ele também mudaria a programação da Liga das Nações, colocando em risco a competição de seleções da UEFA.

São ideias colocadas à mesa, diante de um cenário ainda com mais dúvidas e certezas. O fato é que o calendário atual já esta definitivamente comprometido. E as entidades esportivas precisam encontrar alternativas.

E, nessa hora, até princípios fundamentais do jogo, como equilíbrio esportivo e defesa da competição, acabam sendo prejudicados.

Jogos em estádios neutros, com uma partida apenas sendo disputada para definir classificação, e com todas as regras sendo alteradas no meio da competição.

Claro que isso também implica em risco jurídico. Aqueles clubes que se sentirem prejudicados podem buscar a Justiça.

Na França e na Holanda - mas aí em função do cancelamento dos campeonatos - vários clubes estudam caminhos para buscar direitos que acreditam que foram violados com a decisão. O efeito cascata no movimento esportivo deve se espalhar por todos os lugares em que os campeonatos que serão cancelados. Mas também pode ser uma alternativa para aqueles que se sentem prejudicados por não jogar em casa.

O caminho jurídico mais viável para os clubes que se sentirem afetados é frente uma jurisdição esportiva. O campeonato parou, e mudou regras, por determinação do Governo, por uma questão de saúde pública. E nos Tribunais estatais essa questão irá pesar muito.

Nos Tribunais esportivos princípios como o do equilíbrio esportivo, paridade de armas, da continuidade das competições, devem ser analisados com mais atenção.

Mas existe outro caminho? Só o cancelamento das competições, algo que acredito que a imensa maioria, inclusive eu, não gostaria de ver. E, para complicar, o risco jurídico seria ainda maior!

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Lei em Campo, por Andrei Kampff