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Como o coronavírus tem impactado os contratos esportivos no mundo

Lei em Campo

Andrei Kampff é jornalista formado pela PUC-RS e advogado pela UFRGS-RS. Pós graduando em Direito Esportivo e conselheiro do Instituto Ibero Americano de Direito Desportivo e criador do portal Lei em Campo. Trabalha com esporte há 25 anos, tendo participado dos principais eventos esportivos do mundo e viajado por 32 países atrás de histórias espetaculares. É autor do livro ?#Prass38?.

11/03/2020 04h00

Dos Estados Unidos ao Japão, as entidades esportivas estão alarmados com a disseminação do coronavírus. A Itália entrou em quarentena. Cinco dos oito jogos da fase oitavas de final da Liga dos Campeões serão disputados com portões fechados, inclusive com a partida Valencia e Atalanta acontecendo só com a presença dos profissionais encarregados para fazer a transmissão do jogo. A Espanha determinou o fechamento das escolas e universidades. A preocupação com o covid-19 se intensifica uma vez que já causou mais de 3.800 mortes e infectou mais de 110 mil pessoas em 100 países. A partida de rúgbi feminino entre Escócia e França foi adiada depois que uma jogadora escocesa testou positivo. A questão agora é como ficam os eventos esportivos, incluindo aí patrocinadores, torcedores e contratos.

"Com relação ao coronavírus, é realmente uma situação muito grave e incontrolável. Então, o tamanho do problema é monstruoso. O que está se mostrando até agora que a solução para o mercado esportivo será disputar jogos com portões fechados. Mas há uma desvalorização do produto claro, mas em nome da saúde pública e da segurança das pessoas, mas com impactos enormes, tanto do ponto de vista comercial como do ponto de vista institucional. Imagina, por exemplo, tem um contato com o patrocinador e o patrocinador não pode levar seus clientes para os camarotes que ele adquiriu junto com a cota de patrocínio?", questiona o especialista em marketing esportivo Amir Somoggi.

Questionado se jogaria com portões fechados, LeBron James foi taxativo. "Não, eu jogo para eles [torcedores]", afirmou o jogador do Los Angeles Lakers.

Mas a realidade é que os Estados Unidos estão cada vez mais perto de serem atingidos pelo coronavírus. Um dos mais tradicionais torneios de tênis do país, Indian Wells, foi cancelado esta semana. Essa é uma decisão que pode gerar um efeito cascata e devastar toda a cadeia esportiva americana.

"O mercado americano é o maior mercado esportivo mundial em termos de faturamento, com mais de US$ 420 bilhões de faturamento, metade da indústria. O gasto do torcedor nas arenas supera os direitos de transmissão, e a publicidade nas transmissões. No mercado americano se gasta mais indo ao ginásio, não é só o ingresso. Tem muita ativação, muito torcedor que fica na parte externa das arenas, por isso o mercado americano é o que mais vai sofrer", pontua Amir Somoggi.

"São situações inéditas que deverão contar com a boa vontade de todas as partes, já que ultrapassam a fronteira do esporte. De alguma forma, serve como exemplo o que ocorreu no cancelamento da final da Libertadores em Santiago. Assim como o coranavirus, o explosão de manifestações violentas na cidade foram atos que independiam da vontade das partes envolvidas na organização do jogo, não havendo culpa de nenhuma delas pelo ocorrido. Assim, a gravidade da situação atual e a ausência de responsabilidade objetiva de organizadores de eventos esportivos e patrocinadores tende a levar as partes ao diálogo e a busca de composição amigável, neste primeiro momento", afirma Eduardo Carlezzo, advogado especialista em direito esportivo.

A maior preocupação das entidades esportivas agora é com a realização dos Jogos de Tóquio. Tanto atletas quanto patrocinadores e dirigentes querem saber como ficará a edição deste ano da maior competição esportiva do mundo.

"O faturamento apenas com direitos de transmissão no último ciclo olímpico foi de US$ 4,1 bilhões. Os grandes patrocinadores destinaram mais US$ 1 bilhão, fora US$ 800 milhões em patrocínios locais. No Rio de Janeiro, em 2016, a venda de ingressos gerou US$ 320 milhões. Mas tudo gira em torno do público. O objetivo é levar o mundo para o país, impactando o turismo, e a economia, arrecadando imposto", analisa Somoggi.

Os organizadores das Olimpíadas de Tóquio 2020 e o COI enfatizaram repetidamente que os Jogos, que devem começar em 24 de julho, seguirão em frente, conforme planejado.

"Temos plena confiança de que nossos parceiros, juntamente com as autoridades relevantes, tomarão as medidas necessárias. Continuamos trabalhando em estreita colaboração com o COI. Se o evento não acontecer, não terá um impacto adverso em nossas finanças", afirmou Jean-Briac Perrette, presidente da Discovery International, um dos maiores detentores de direitos das Olimpíadas, deixando em aberto a possibilidade de cancelamento dos Jogos

Caso não seja possível conter a escalada infecciosa do covid-19, é pouco provável que haja uma mudança de cidade-sede. "Eu acredito que caso até Maio se constate haver motivos para não se realizar em Tóquio, os mesmos motivos valerão para qualquer outro lugar no Mundo", finalizou Alexandre Mestre, ex-secretário de Estado do Desporto e Juventude de Portugal, e também especialista nas regras da Carta Olímpica.

Por Thiago Braga

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Lei em Campo, por Andrei Kampff