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Esporte também tem poder de salvar vidas. Um menino de 9 anos sabe disso

Lei em Campo

Andrei Kampff é jornalista formado pela PUC-RS e advogado pela UFRGS-RS. Pós graduando em Direito Esportivo e conselheiro do Instituto Ibero Americano de Direito Desportivo e criador do portal Lei em Campo. Trabalha com esporte há 25 anos, tendo participado dos principais eventos esportivos do mundo e viajado por 32 países atrás de histórias espetaculares. É autor do livro ?#Prass38?.

10/03/2020 16h42

Já escrevi aqui, e vou repetir sempre torcendo para que mais gente se some a esse coro: o esporte vai muito além do jogo ou da corrida, da vitória ou da derrota. Ele alcança a transformação. É inegável que ele também tem um papel social, quer você queira ou não. E isso é comprovado pela história, por meio de grandes acontecimentos em que ele acabou sendo o catalisador de conquistas sociais importantes.

Pela força que tem, o esporte é um agente catalisador de transformações sociais importantes. Tanto que ele e seus personagens já pararam guerras, e aproximaram povos; o esporte recuperou pessoas.

Ele salvou nacões, e segue salvando vidas.

A história do Quaden Bayles, de 9 anos, é ao mesmo tempo triste e linda. Com nanismo, o menino de origem aborígene sofria bullyng na escola. A violência era tão grande que ele pediu à mãe para morrer. "Eu quero que alguém me mate? Eu quero morrer". VOcê tem ideia da dor que ele sentia, e da dor que a mãe sentiu ao ouvir isso do filho?

Quaden é fã de rugby. Em um jogo que reuniu as estrelas do esporte na Austrália, o evento decidiu fazer uma homenagem ao menino. Ele entrou em campo com a bola do jogo e foi ovacionado pelo estádio lotado. O momento recuperou a fé e devolveu a alegria ao menino. Quaden disse ter vivido o melhor dia em toda a sua vida.

Conheça essa história, e a importância do compliance social no esporte com Nilo Patussi, advogado especializado em gestão esportiva e colunista do Lei em Campo.

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Nelson Mandela foi um advogado que, depois de 27 anos preso por defender a sua ideologia politica, dedicou a sua militância em favor do seu povo. Em 1990, quando foi solto, conviveu com uma África do Sul sofrendo com o apartheid (uma das segregações raciais mais sérias e violentas que o mundo já viu) e 4 anos após conseguir a sua liberdade, assumiu o difícil papel de governar um país dividido. Foi nesse momento que ele viu a força transformadora do esporte.

Madiba, como era carinhosamente chamado, laureado com o prêmio Nobel da Paz, de 1993, pelo seu trabalho contra o apartheid, aproveitou, a Copa do Mundo de Rugby que aconteceria na Africa do Sul em 1995, para unir o seu país e mostrar ao mundo toda essa transformação. História que virou filme, Invictus, dirigido por Clint Eastwood em 2009.

Os Springboks, apelido da seleção Sul-Africana de Rugby também tiveram o seu importante papel para essa transformação. A copa do mundo de rugby foi o melhor momento para unir o país e lançar o famoso lema de Mandela: Um time, uma nação. Esse foi um passo importante para que os sul-africanos negros passassem a apoiar o Rugby, até então praticado e assistido pela massa branca do país, e uma manobra para que os sul-africanos brancos apoiassem as mudanças politicas propostas pelo novo governo liderado por um presidente negro.

Se o esporte conseguiu unir uma nação, ele pode qualquer coisa, basta que bons exemplos venham a surgir e estimular essas mudanças.

A palavra da moda na gestão esportiva tem um papel importante na profissionalização do esporte e na mudança de pensamentos de quem vive pelo e para o esporte, sejam eles atletas, torcedores, dirigentes ou investidores.

Mas o que nem todos se deram por conta é que Compliance é muito mais que estar em conformidade com leis e normas, é estar - efetivamente - fazendo a diferença em questões além da lei. É pensar em mudança de padrões, pensar no bem do outro, no meio em que vivemos e nas transformações que essa força chamada: esporte, pode fazer.

Há alguns dias tivemos a oportunidade de assistir a mais uma demonstração transformadora dentro de campo. Yarraka Bayles, uma mãe australiana, cansada de ver o seu filho sofrer bullying na escola em razão de ser portador de nanismo, comoveu o mundo para esse sério problema. No vídeo que viralizou nas redes sociais - Quaden Bayles, de 9 anos, chorando, diz à sua mãe: "Eu vou morrer agora? Me dê uma faca, eu vou me matar. Me dê uma faca para que eu possa enfiar no meu coração. Eu quero que alguém me mate? Eu quero morrer".

Assim como na África do Sul, na Austrália, um jogo de rugby mudou a vida de Quaden.

Na partida da edição 2020 do All Stars Match, evento que celebra a disputa dos povos indígenas de Austrália e Nova Zelândia, Yarraka viu o seu filho ser homenageado e ovacionado por todos, mais de 23 mil torcedores, ele entrou em campo com a equipe australiana, vestindo a camisa de jogo da equipe e liderando a entrada das estrelas do jogo (sendo ele certamente uma delas). O menino que já havia tentado varias vezes suicídio teve o seu dia de gloria e viu a sua vida mudar. Após ter recebido apoio vindo de todos os cantos do mundo o jovem Quaden disse ter vivido o melhor dia em toda a sua vida.

Dois exemplos em que o rugby foi a ferramenta utilizada para a transformação, seja de um país, seja de uma vida (com certeza gerando reflexões em muitas pessoas ao redor do mundo), mas todas as outras modalidades geram o mesmo efeito em seus torcedores, atletas e amadores do esporte.

Por mais Mandelas, estrelas australianas do rugby, pessoas do bem capazes de transformar dores, bullyings e lagrimas de tristeza de uns em lagrimas de emoção, felicidade e comoção muitos.

Lei em Campo, por Andrei Kampff