PUBLICIDADE
Topo

Julio Gomes

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Em busca por 'isentão' para o comando, Libra sonda ex-CEO do Orlando City

Alexandre Leitão, CEO do Orlando City, é brasileiro - Icon Sportswire/Icon Sportswire via Getty Images
Alexandre Leitão, CEO do Orlando City, é brasileiro Imagem: Icon Sportswire/Icon Sportswire via Getty Images
só para assinantes
Julio Gomes

Julio Gomes é jornalista esportivo desde que nasceu. Mas ganha para isso desde 1998, quando começou a carreira no UOL, onde foi editor de Esporte e trabalhou até 2003. Viveu por mais de 5 anos na Europa - a maior parte do tempo em Madrid, mas também em Londres, Paris e Lisboa. Neste período, estudou, foi correspondente da TV e Rádio Bandeirantes e comentarista do Canal+ espanhol, entre outras publicações europeias. Após a volta para a terrinha natal, foi editor-chefe de mídias digitais e comentarista da ESPN e também editor-chefe da BBC Brasil. Já cobriu cinco Copas do Mundo e, desde 2013, está de volta à primeira das casas.

01/07/2022 04h00

O cenário atual é de divisão: de um lado, a Libra, com os clubes mais populares do Brasil. De outro, a Forte, com mais participantes e também alguns clubes grandes da nossa história. Enquanto eles não se acertam (e não cedem), o futebol brasileiro segue sem uma Liga. Mas isso não impede que pauzinhos estejam sendo mexidos.

Esta coluna apurou que a Libra sondou Alexandre Leitão, ex-CEO do Orlando City, com a intenção de que o executivo possa assumir o projeto da Liga nacional aqui no Brasil. No momento, ele segue vivendo nos EUA, com família estabelecida por lá.

Leitão tem alguns pontos a seu favor, mas talvez o principal mesmo (pensando na opinião pública e na realidade das relações ásperas entre os clubes de futebol) seja o fato de ser um "isentão". Um executivo que não está e nunca esteve ligado a qualquer clube brasileiro. Essa é uma espécie de obsessão para os envolvidos com a nova liga, já que todos sabem como a banda toca no Brasil. As decisões de um eventual CEO serão olhadas com lupa e seria bom evitar a acusação de "clubismo", talvez a preferida dos torcedores de redes sociais hoje em dia. Se o posto for ocupado por alguém que tenha ligação com algum clube no passado, é meio caminho andado para o descrédito.

A Libra foi fundada em maio com a assinatura de oito clubes: Flamengo, Corinthians, Palmeiras, São Paulo, Santos, Red Bull Bragantino, Cruzeiro e Ponte Preta. Desde então, aderiram ao movimento mais dois cariocas (Vasco e Botafogo) e três paulistas da Série B (Guarani, Ituano e Novorizontino). O próximo será o Grêmio. Na Liga Forte, estão Atlético-MG, Fluminense, Inter e outros 22 clubes das Séries A e B. O Bahia é o único que ainda não se posicionou. A discussão entre os dois grupos passa, logicamente, pelo formato de distribuição de riqueza.

Com os principais clubes do Rio e de São Paulo, a Libra já tem parceiros comerciais e foi de alguns deles que veio a sugestão do nome de Leitão - que foi sondado, mas não recebeu um convite formal.

Ex-diretor da Ambev e com relações próximas à CBF (ainda nos tempos de Ricardo Teixeira), Leitão fundou uma agência de marketing esportivo, a B2S, que posteriormente seria vendida para a Octagon, gigante internacional do ramo. Em dezembro de 2014, deixou a direção da Octagon Brasil para se juntar ao empresário Flavio Augusto da Silva, dono da mais nova franquia da MLS, o Orlando City. No ano passado, o clube foi vendido para a família que controla também o Minnesota Vikings, da NFL, e Leitão deixou o posto de CEO.

Portanto, além de ser "isentão", ele atende, na visão de algumas pessoas envolvidas com a Libra, requisitos importantes: ter trânsito na CBF e com grandes empresas, ter conhecimento de uma Liga bem sucedida no exterior (a MLS), ter a experiência de levantar um projeto do zero (como foi o caso do Orlando City), ser expert em marketing esportivo e ser brasileiro - já foi ventilado o nome do atual presidente da Liga espanhola para assumir uma eventual Liga brasileira, mas teme-se o choque cultural.

Se o nome se transformará em consenso entre os dirigentes e a sondagem se transformará em convite formal, ainda não se sabe. Se Leitão topará deixar os EUA para voltar ao Brasil, tampouco. Mas o fato é que, enquanto um braço da Libra mede forças e negocia com a Forte, o outro já tenta encontrar as peças para fazer a teoria virar prática.