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Julio Gomes

REPORTAGEM

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Astro barrado, Guinés 'juntas'. Conheça cinco curiosidades da Copa Africana

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Julio Gomes

Julio Gomes é jornalista esportivo desde que nasceu. Mas ganha para isso desde 1998, quando começou a carreira no UOL, onde foi editor de Esporte e trabalhou até 2003. Viveu por mais de 5 anos na Europa - a maior parte do tempo em Madrid, mas também em Londres, Paris e Lisboa. Neste período, estudou, foi correspondente da TV e Rádio Bandeirantes e comentarista do Canal+ espanhol, entre outras publicações europeias. Após a volta para a terrinha natal, foi editor-chefe de mídias digitais e comentarista da ESPN e também editor-chefe da BBC Brasil. Já cobriu cinco Copas do Mundo e, desde 2013, está de volta à primeira das casas.

07/01/2022 04h00

A Copa Africana de Nações começa no próximo domingo, com sede em Camarões. O torneio é sempre muito interessante, pois é a festa de um continente literalmente abandonado pelo mundo desenvolvido. Reúne grandes jogadores, verdadeiras estrelas do futebol europeu, além de outros que passam longe disso e vivem no amadorismo em países paupérrimos.

Uma característica do futebol de seleções da África é o equilíbrio. As últimas seis edições tiveram seis campeões diferentes. Outra característica é o mundo de curiosidades que cada edição trás. Aqui vão algumas:

GUINÉS JUNTAS

É claro que é uma pegadinha do autor. Não houve qualquer tipo de unificação das Guinés nem nada do tipo. O que há é a presença inédita de Guiné, Guiné-Bissau e Guiné Equatorial em uma fase final de Copa Africana de Nações.

Guiné está em sua 13a participação, é um país de 13 milhões de habitantes e que tem certa tradição - a grande estrela da seleção atual é Keita, do Liverpool. Guiné-Bissau era parte de Portugal até 1973, quando declarou independência (reconhecida em 1974). Só em meados dos anos 90 começou a disputar eliminatórias para Copa Africana e Copa do Mundo. Depois de avançar à fase final da CAN em 2017 e 2019, chega à terceira participação consecutiva. O país tem só 2 milhões de habitantes e o primeiro presidente a conseguir concluir um mandato na jovem democracia foi José Mario Vaz, eleito em 2014 e que perdeu a reeleição em 2019.

Guiné Equatorial, de 1,4 milhão de habitantes, não tem a mesma sorte. Teodoro Obiang Mbasogo deu um golpe em 1979 e é o líder totalitário do país desde então - a independência da Espanha havia sido declarada em 68. É um país rico, por causa do petróleo, mas em que metade da população não tem acesso a água tratada. No futebol, só começou a disputar eliminatórias neste século. E jogou a Copa Africana em 2012 e 2015, chegando agora à terceira participação.

PAÍSES ESTREANTES

Comores e Gâmbia marcam presença na fase final pela primeira vez. O caso de Comores é chamativo. É uma ilha de menos de 900 mil habitantes, pertinho de Madagascar, que conseguiu independência da França em 1975 e tem 98% da população seguidora da religião islâmica. A classificação veio com a segunda posição do grupo que tinha o Egito, deixando para trás Quênia e Togo. A seleção de Comores tem apenas dois jogadores nascidos efetivamente no país - todos os outros nasceram na França ou regiões pertencentes à república francesa.

MUITOS ASTROS, UM AUSENTE

São quase 40 jogadores da Premier League envolvidos na Copa Africana de Nações, vários deles muito famosos - como Salah e Mané, do Liverpool, que atuam por Egito e Senegal, Mahrez, do Manchester City e Argélia, Mendy, goleiro do Chelsea e Senegal, entre outros. Mas há um que não estará na competição. Hakim Ziyech, do Chelsea, não foi convocado pela seleção de Marrocos para a disputa do torneio. O técnico bósnio Vahid Halilhodzic acusa Ziyech de não ter a atitude correta de um líder, de ter decidido não jogar uma partida contra Gana e de fazer da seleção marroquina sua "refém" ao chegar atrasado a apresentações e se comportar como uma prima donna.

DE ARTILHEIRO A CARTOLA

Samuel Eto'o, campeão da Europa pelo Barcelona e pela Inter de Milão, é o jogador que mais vezes marcou pela Copa Africana das Nações - foram 18 gols marcados em seis edições. Hoje, ele é o presidente da Federação Camaronesa de Futebol e tenta ajudar, fora do campo, seu país a ser campeão da Copa jogando em casa. "Os africanos têm que saber como se unir para o desenvolvimento do continente. Outros nunca farão isso por nós. É muito importante que saibamos disso. Você pode ver o que acontece no mundo. Quando o mundo vem fazer negócio na África, eles ficam felizes. Quando a África vai à Europa em busca de ajuda, nós temos problemas. Então, para melhorar as coisas, você precisa mais do que dinheiro. Você precisa de ideias e visão". Palavras do presidente Eto'o.

TÍTULOS DOS TEMPOS DO EGITO ANTIGO

Camarões é o país africano com mais presenças em Copas do Mundo - foram sete. É também o segundo maior campeão de Copas Africanas, com cinco títulos: 84,88, 2000, 2002 e 2017. Mas, ao contrário do que muitos podem pensar, não são os camaroneses os maiores campeões continentais. O Egito levantou a taça sete vezes.

Só que as duas primeiras conquistas merecem um asterisco do tamanho do continente. Até 1956, havia só cinco países soberanos e independentes na África. Em 1957, na primeira edição da Copa Africana, só três nações participaram, o Egito ganhou dos outros dois (Sudão e Etiópia) para ser campeão. Em 1959, os mesmos três participantes jogaram pela taça e o Egito atuou com a bandeira da República Árabe Unida, formando uma parceria com a Síria (que fica na Ásia). Hoje, o continente tem 54 países, e a Copa Africana é disputada por 24 seleções na fase final.