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Julio Gomes

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Gomes: Jesus leva sova no dérbi de Lisboa. Se empurrar, cai no colo do Fla

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Julio Gomes

Julio Gomes é jornalista esportivo desde que nasceu. Mas ganha para isso desde 1998, quando começou a carreira no UOL, onde foi editor de Esporte e trabalhou até 2003. Viveu por mais de 5 anos na Europa - a maior parte do tempo em Madrid, mas também em Londres, Paris e Lisboa. Neste período, estudou, foi correspondente da TV e Rádio Bandeirantes e comentarista do Canal+ espanhol, entre outras publicações europeias. Após a volta para a terrinha natal, foi editor-chefe de mídias digitais e comentarista da ESPN e também editor-chefe da BBC Brasil. Já cobriu cinco Copas do Mundo e, desde 2013, está de volta à primeira das casas.

03/12/2021 20h17

Era o ano de 2015. Surpreendentemente, Jorge Jesus, melhor técnico do futebol português, três vezes campeão nacional com o Benfica, deixava o clube encarnado para assumir o Sporting - grande rival de Lisboa. Logo no primeiro dérbi, na Luz, o Sporting vai lá e tasca 3 a 0 no Benfica.

Mais de seis anos se passaram desde então. Jesus não conseguiu ser campeão no Sporting, brilhou no Flamengo. Os leões saíram da fila só em 2021, sob comando de um jovem chamado Rúben Amorim, 36 anos, ex-jogador do próprio Benfica. Desde aquela vitória, o Sporting nunca mais vencera na Luz - cinco derrotas e dois empates.

Até hoje.

No duelo da nova geração, representada por Amorim, chamado de "agregador" pela imprensa portuguesa, e a velha geração, representada por Jesus, chamado de "egocêntrico" por lá, não deu nem para o cheiro. O Sporting quase repetiu os 3 a 0 de 2015, em pleno estádio dos encarnados. Nesta sexta, venceu por 3 a 1. Os gols foram de Sarabia, logo no comecinho, e depois Paulinho e Matheus Nunes, no segundo tempo, para o Sporting. Pizzi diminuiu para o Benfica aos 50min da etapa final.

O placar mostra exatamente o que foi o jogo, dominado amplamente pelo Sporting. O primeiro tempo foi um passeio, no segundo foi a hora de matar a partida nos contra ataques.

Jorge Jesus chegou de volta ao Benfica como um projeto pessoal do ex-presidente Luis Filipe Vieira, o mais longevo da história do Benfica, afastado e preso por variados crimes financeiros no começo do ano. Vieira já era, sobrou Jesus. Como contou o jornalista Bruno Andrade no Podcast Futebol Sem Fronteiras desta semana, que teve o dérbi lisboeta como tema, a única certeza que se tem em Portugal é que Jesus não será técnico do Benfica na próxima temporada. Poucos querem que ele fique. Menos ainda depois desta derrota.

Cair agora? Só se o clube, agora presidido por Rui Costa, mandá-lo embora. No meio da semana que vem, o Benfica tem jogo de Champions League e, mesmo após ter vencido o Barcelona por 3 a 0 no jogo do turno, não depende mais de si para se classificar - tem de bater o Dynamo de Kiev e secar o Barça.

Na Primeira Liga portuguesa, o Benfica ganhou as sete primeiras partidas e chegou a abrir quatro pontos de vantagem para Sporting e Porto. Nos últimos seis jogos, contando com o de hoje, são só três vitórias. Em vez de estar quatro pontos na frente dos dois rivais, agora está quatro atrás. A reconquista do título já começa a parecer muito difícil.

O benfiquismo não gosta e não quer Jesus. Se empurrar, ele cai. Se cair, vai direto para o colo da Nação.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL