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Julio Gomes

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Gomes: Título do Galo é incontestável e chegou tarde

Keno comemora gol do Atlético-MG contra o Bahia, pelo Campeonato Brasileiro - Jhony Pinho/AGIF
Keno comemora gol do Atlético-MG contra o Bahia, pelo Campeonato Brasileiro Imagem: Jhony Pinho/AGIF
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Julio Gomes

Julio Gomes é jornalista esportivo desde que nasceu. Mas ganha para isso desde 1998, quando começou a carreira no UOL, onde foi editor de Esporte e trabalhou até 2003. Viveu por mais de 5 anos na Europa - a maior parte do tempo em Madrid, mas também em Londres, Paris e Lisboa. Neste período, estudou, foi correspondente da TV e Rádio Bandeirantes e comentarista do Canal+ espanhol, entre outras publicações europeias. Após a volta para a terrinha natal, foi editor-chefe de mídias digitais e comentarista da ESPN e também editor-chefe da BBC Brasil. Já cobriu cinco Copas do Mundo e, desde 2013, está de volta à primeira das casas.

02/12/2021 19h54

Ao longo dos mais de 40 anos em que o Campeonato Brasileiro foi disputado em variados sistemas que acabavam em jogos decisivos (de 1971 a 2002), o Atlético Mineiro foi o clube que mais vezes chegou a semifinais. Mas ganhar, que é bom, nada. O Galo teve muitos times capazes de serem campeões nacionais. Vários. Mas tropeçava, tropeçava, tropeçava na hora H. Ganhou o primeiro, em 71, e depois foram muitas tristezas.

Hoje, 2 de dezembro de 2021, é o grande dia. Exatos 50 anos depois, o Galo é campeão do Brasil. Algo que parecia ter ficado ainda mais difícil na era dos pontos corridos, da negociação de TV em novos moldes, do dinheiro jorrando com força nos cofres de alguns clubes do eixo Rio-São Paulo.

Mas, do bolso de empresários apaixonados, o Galo conseguiu também ter o investimento que precisava. Constrói um estádio espetacular, contrata grandes jogadores e consegue fazer o dinheiro virar título - o que nem sempre acontece. Dinheiro gera dinheiro. E esses caras sabem muito bem disso.

O 2/12/21 é enorme como o 24/7/13, a data da emancipação continental do Galo, do título da Libertadores. Em comum naquelas duas datas? O técnico. Cuca é um treinador acima da média para a realidade do futebol brasileiro. Um futebol de calendário único no mundo, de camisas pesadas, de muitos clubes populares e em que técnicos têm uma relação de "pai" com muitos jogadores. Uma rapaziada que vem, às vezes, da pobreza absoluta, de famílias desestruturadas, que busca no futebol a salvação para eles e para muita gente em volta.

Cuca navega bem demais em todos esses ambientes. Não é um gênio tático, mas é um cara que compreende o futebol brasileiro e que empilha resultados de expressão. Campeão brasileiro pela segunda vez, já havia sido em 2016, com o Palmeiras, Cuca estava no começo do ano jogando uma final de Libertadores com um time para lá de "medião", do Santos.

Assumiu o Galo, superou a desconfiança e maus resultados iniciais, entendeu que Hulk precisava de minutos, espaço, sequência. E conseguiu fazer o time ser sólido defensivamente, o grande problema dos últimos anos. Com uma defesa sólida e gente como Hulk, Nacho, Diego Costa, Keno, Zaracho e outros à frente, a fórmula do sucesso estava montada.

É um título incontestável e que podia ser previsto desde o primeiro turno, com as vitórias nos duelos diretos contra Flamengo e Palmeiras. Um título que demorou muito mais do que deveria para o tamanho deste clube. Mas chegou, afinal. É hora de comemorar como se não houvesse amanhã.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL