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Julio Gomes

REPORTAGEM

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Champions League: Simeone e Griezmann reencontram fantasmas em Milão

Simeone com lágrimas nos olhos após derrota na final da Champions League de 2016 - Reuters / Stefan Wermuth
Simeone com lágrimas nos olhos após derrota na final da Champions League de 2016 Imagem: Reuters / Stefan Wermuth
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Julio Gomes

Julio Gomes é jornalista esportivo desde que nasceu. Mas ganha para isso desde 1998, quando começou a carreira no UOL, onde foi editor de Esporte e trabalhou até 2003. Viveu por mais de 5 anos na Europa - a maior parte do tempo em Madrid, mas também em Londres, Paris e Lisboa. Neste período, estudou, foi correspondente da TV e Rádio Bandeirantes e comentarista do Canal+ espanhol, entre outras publicações europeias. Após a volta para a terrinha natal, foi editor-chefe de mídias digitais e comentarista da ESPN e também editor-chefe da BBC Brasil. Já cobriu cinco Copas do Mundo e, desde 2013, está de volta à primeira das casas.

28/09/2021 04h00

Diego Pablo Simeone chegou ao Atlético de Madrid quase dez anos atrás, em dezembro de 2011. Nenhum outro técnico das principais ligas europeias está há tanto tempo no cargo - nem mesmo nos clubes ingleses, que têm tradição em manter treinadores por longos períodos. Mas houve um momento em que a parceria quase foi quebrada.

Cinco anos atrás, em Milão, a derrota na final da Liga dos Campeões da Europa, diante do Real Madrid, abalou Simeone. "Não sabia se teria forças para seguir liderando a equipe", diria o argentino, anos depois. Naquela partida, no estádio de San Siro, o Atlético desperdiçou um pênalti com bola rolando e perderia o troféu inédito na disputa por pênaltis - repetindo a trágica derrota da final de 2014, também para o Real Madrid.

Nesta terça, às 16h (de Brasília), o Atlético volta pela primeira vez ao estádio em que Simeone viveu sua pior experiência no comando técnico do clube - ou, pelo menos, a que mais lhe afetou. O duelo contra o Milan, pela segunda rodada do grupo B, o "grupo da morte", tem ares de final. O Milan perdeu na estreia para o Liverpool, enquanto o Atlético só empatou em casa com o Porto. Na outra partida do grupo, também às 16h, o clube português recebe o time de Klopp.

Curiosamente, o primeiro confronto de mata-mata de Simeone pela Champions foi contra o Milan, nas oitavas de final da campanha de 2014. Com vitórias por 1 a 0 e 4 a 1, o Atlético avançou, mas as más lembranças de 2016 superam - e muito - as boas de antes. Tanto que o clube decidiu ficar em outro hotel desta vez e nem fez o tal reconhecimento do gramado um dia antes da partida - treinou em Madrid e viajou na noite de segunda a Milão, para ficar o menor tempo possível na cidade. Só pisa no gramado do San Siro para jogar e logo se manda de volta.

Aquele de 2014 foi também o último confronto de mata-mata do Milan na principal competição europeia. Nos 4 a 1 do jogo de volta, dois gols do Atlético foram marcados por Diego Costa, que hoje defende outro Atlético, o Mineiro. E o gol do Milan foi anotado por Kaká, o último dos 30 da carreira dele na Champions.

De sete anos para cá, o Milan, sete vezes campeão da Europa, "ganhou" status de time médio. Enquanto o Atlético, que nem costumava disputar a Liga dos Campeões antes de Simeone, virou protagonista e candidato a qualquer título que dispute, inclusive o continental.

Nesta tarde, o Milan entrará em campo sem Ibrahimovic e pode ter no ataque Giroud, que, com uma bicicleta e ainda vestindo a camisa do Chelsea, foi o algoz do Atlético na última Champions League, meses atrás.

O Atleti ganhou só um de seus últimos quatro jogos - com gol nos acréscimos - e vive um início de temporada abaixo das expectativas. Griezmann voltou do Barcelona para dar um "toque de qualidade" ao elenco, mas até agora, em cinco partidas, o saldo é de zero gols, zero assistências e zero finalizações certas. Isso mesmo, nenhum chute no gol em cinco jogos.

Griezmann também reencontrará fantasmas no San Siro. O francês foi quem perdeu aquele pênalti da final de 2016, que teria decretado o empate e virado o momento a favor do Atlético - o time ainda buscou um gol e levou a partida para prorrogação e pênaltis. Do elenco atual, estavam naquele time o goleiro Oblak, os zagueiros Savic e Giménez, os meias Koke e Carrasco e os atacantes Griezmann e Correa.

O francês deve ficar no banco hoje, e o argentino possivelmente fará a dupla de ataque com Luís Suárez - outro que vive em meio a fantasmas na Champions. O uruguaio não faz um gol na competição jogando fora de casa há exatos seis anos - lá se vão 25 partidas desde a última vez, em Roma. Talvez a volta à Itália lhe traga alguma inspiração.

Dizem que campeonatos só são vencidos em abril ou maio, mas é preciso tomar cuidado para não perdê-los já em setembro ou outubro. Uma derrota para o Milan pode ser fatal para o Atlético, que na sequência fará dois jogos contra um Liverpool sedento por vingança - em 2020, no último grande jogo com público, antes da pandemia, o então campeão Liverpool foi eliminado por Simeone e companhia.