PUBLICIDADE
Topo

Julio Gomes

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Mais nova joia do futebol belga quase virou tenista e ofuscou trio do PSG

Kimpembe (PSG) disputa bola com Ketelaere (Brugge) em confronto pela primeira rodada da Liga dos Campeões, no Jan Breydel Stadium - ANP Sport/ANP Sport via Getty Images
Kimpembe (PSG) disputa bola com Ketelaere (Brugge) em confronto pela primeira rodada da Liga dos Campeões, no Jan Breydel Stadium Imagem: ANP Sport/ANP Sport via Getty Images
Conteúdo exclusivo para assinantes
Julio Gomes

Julio Gomes é jornalista esportivo desde que nasceu. Mas ganha para isso desde 1998, quando começou a carreira no UOL, onde foi editor de Esporte e trabalhou até 2003. Viveu por mais de 5 anos na Europa - a maior parte do tempo em Madrid, mas também em Londres, Paris e Lisboa. Neste período, estudou, foi correspondente da TV e Rádio Bandeirantes e comentarista do Canal+ espanhol, entre outras publicações europeias. Após a volta para a terrinha natal, foi editor-chefe de mídias digitais e comentarista da ESPN e também editor-chefe da BBC Brasil. Já cobriu cinco Copas do Mundo e, desde 2013, está de volta à primeira das casas.

16/09/2021 04h00

O dia 15 de setembro era daqueles marcados para entrar na história. O dia de ver Messi, Neymar e Mbappé juntos, o trio mais caro e forte do futebol mundial. Dia de goleada. De fazer bolão. Quantos gols vão marcar cada um deles?

Bem, ganhou quem apostou no fracasso. Quem ligou a TV para ver os três, viu um outro rapaz. Charles De Ketelaere, 20 anos, nascido em Bruges, na Bélgica. Foi dele a maior nota da partida pelo sistema estatístico da SofaScore. Foram dele também alguns dos melhores lances do Brugge na partida, que acabou empatada em 1 a 1 pela Liga dos Campeões da Europa.

Quem é o rapaz?

De Ketelaere joga no Brugge deste os 8 anos de idade e, paralelamente ao futebol, jogava tênis em alto nível. Foi campeão local e poderia ter seguido carreira no esporte. Acabou optando pelo futebol, jogou sua primeira partida como profissional exatos dois anos atrás e hoje é o mais promissor esportista da Bélgica - já foi convocado uma vez para a seleção principal, depois de ter passado por todas as seleções de base (desde a sub-16).

"No tênis, eu não conseguia lidar com minhas derrotas e também ficava muito nervoso com as atitudes de alguns meninos com quem eu jogava contra. Cheguei a fazer meditação para acalmar", contou De Ketelaere em uma entrevista ao "Het Niewsblad". "No futebol, é mais fácil achar desculpas para as derrotas, enquanto no tênis é você com você mesmo".

Alto, com 1,92 m, mas rápido, De Ketelaere já foi utilizado como atacante, meia, ponta e até lateral esquerdo. Alguns olheiros dizem que as várias funções que ele sabe fazer são uma vantagem, enquanto outros acreditam que ele precisa definir logo uma posição mais perto da área e começar a marcar mais gols para explodir na carreira. Na temporada até agora, são três gols e duas assistências em nove jogos. Ele já se aproxima, portanto, dos cinco gols que marcou em 46 partidas no ano anterior.

A força do jogo de De Ketelaere está nas funções táticas e defensivas que exerce e na força para não perder duelos. É um jogador físico, técnico e de grande visão, que começa a se destacar em uma posição "da moda": o falso 9. Quando tem a bola controlada, dificilmente é desarmado. Falta melhor o último passe, já perto do gol.

No momento, o Brugge avalia que o garoto tenha um valor de mercado de aproximadamente 25 milhões de euros. Milan e Atalanta já mostraram interesse na contratação, mas, após o grande jogo que fez contra o PSG e a vitrine que significará esta Champions (o Brugge ainda jogará duas vezes contra o City, de Guardiola), é que capaz que os valores subam bastante.

Hoje longe do tênis, De Ketelaere estuda nas horas vagas para conseguir se formar em Direito. Mas seu principal objeto de estudo é ele mesmo. "Assisto a todos os meus jogos e sou muito crítico. A pressão sempre vem de mim mesmo, não consigo imaginar um momento em que eu considere que não haja nada a melhorar".