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Julio Gomes

REPORTAGEM

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A primeira vez: Neymar perde protagonismo para Messi, e Mbappé fica isolado

Neymar em ação durante a partida entre PSG e Club Brugge, pela Liga dos Campeões - BRUNO FAHY / BELGA / AFP
Neymar em ação durante a partida entre PSG e Club Brugge, pela Liga dos Campeões Imagem: BRUNO FAHY / BELGA / AFP
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Julio Gomes

Julio Gomes é jornalista esportivo desde que nasceu. Mas ganha para isso desde 1998, quando começou a carreira no UOL, onde foi editor de Esporte e trabalhou até 2003. Viveu por mais de 5 anos na Europa - a maior parte do tempo em Madrid, mas também em Londres, Paris e Lisboa. Neste período, estudou, foi correspondente da TV e Rádio Bandeirantes e comentarista do Canal+ espanhol, entre outras publicações europeias. Após a volta para a terrinha natal, foi editor-chefe de mídias digitais e comentarista da ESPN e também editor-chefe da BBC Brasil. Já cobriu cinco Copas do Mundo e, desde 2013, está de volta à primeira das casas.

15/09/2021 21h01

Responda rápido: qual jogador recebeu mais passes no empate entre Brugge e Paris Saint-Germain, pela Liga dos Campeões? Neymar? Messi? Algum zagueiro, naquela troca de passes laterais? Nada disso.

Quem recebeu mais bolas foi um meio-campista, Ander Herrera. É o espanhol, autor do gol do PSG nesta quarta, quem mais participa da circulação da equipe. Isso no dia da estreia do trio mais badalado do futebol mundial: Messi, Neymar e Mbappé.

Eles estiveram em campo por 51 minutos, até Mbappé sair machucado - não se sabe qual a extensão da lesão. Durante todo o primeiro tempo, espalharam-se como um trio de ataque, trocando de posição na frente, mas sem que um deles recuasse para buscar e armar o jogo. É claro que a sincronia virá com o tempo e dependerá da boa vontade dos três. O jogo é coletivo e demanda sacrifícios.

A primeira experiência não foi boa. Somente 7% dos 587 passes trocados por jogadores do PSG foram de um para outro. A principal conexão ocorreu entre Messi e Neymar (13 bolas do argentino para o brasileiro, 16 de Neymar para Messi). Mbappé e Messi só trocaram 3 passes entre eles durante o tempo em que o francês esteve em campo. Não é necessário dizer que é pouco, não se encontraram.

Das 29 trocas de bolas entre Neymar e Messi, nenhuma vai ficar para a história. O argentino foi o mais participativo dos três, principalmente no segundo tempo, e pisou duas vezes na área em situação de gol. Em uma, acertou o travessão. Na outra, a chapada saiu muito alta e passou longe do gol. No total, fez quatro finalizações.

Mbappé foi quem criou, pela esquerda, a jogada do gol de Herrera. E Neymar foi quem mais sentiu em campo. A liberdade total vai ficar com Messi? Ele voltará a ser o coadjuvante que era no Barcelona, jogando com posição fixa? Contra o Brugge, Neymar ficou mais preso à esquerda e ficou bem menos solto do que vimos nestes últimos quatro anos com a camisa do Paris.

O PSG era o time de Neymar. Na Bélgica, não pareceu ser. Herrera recebeu 80 passes, Messi, 71, e o brasileiro, 58. Foi o quarto do time em participação. Costumava ser sempre o primeiro da lista. Finalizou um total de zero bolas a gol, o que tampouco é normal. Alguém acredita que a tendência continuará?

O segredo do sucesso do Paris será a compreensão entre os craques. Messi precisa do espaço dele, da liberdade de ação, e já faz tempo que apenas trota nas tarefas defensivas, de recomposição e pressão. Neymar foi mais usado, tanto no PSG quanto na seleção brasileira, em uma posição parecida com a de Messi, de forma meio anárquica, com liberdade total. E Mbappé gosta de espaço e velocidade. A química, o entendimento e a dose de sacrifício de cada um serão as chaves.

Depois deste primeiro jogo, fica claro que o Paris vai precisar desses caras, um ou dois, mais recuados para circular a bola e não apenas recebê-la no terço final dos volantes/meias. E também fica claro que será necessário construir pontes em campo entre Messi e Mbappé. Bola com Pochettino, ele que se vire.