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Julio Gomes

REPORTAGEM

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Barcelona começa era europeia pós-Messi com time menos estrelado em 40 anos

Luuk de Jong, novo atacante do Barcelona - Joan Gosa/Xinhua
Luuk de Jong, novo atacante do Barcelona Imagem: Joan Gosa/Xinhua
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Julio Gomes

Julio Gomes é jornalista esportivo desde que nasceu. Mas ganha para isso desde 1998, quando começou a carreira no UOL, onde foi editor de Esporte e trabalhou até 2003. Viveu por mais de 5 anos na Europa - a maior parte do tempo em Madrid, mas também em Londres, Paris e Lisboa. Neste período, estudou, foi correspondente da TV e Rádio Bandeirantes e comentarista do Canal+ espanhol, entre outras publicações europeias. Após a volta para a terrinha natal, foi editor-chefe de mídias digitais e comentarista da ESPN e também editor-chefe da BBC Brasil. Já cobriu cinco Copas do Mundo e, desde 2013, está de volta à primeira das casas.

14/09/2021 04h00

Faz quase 17 anos que Messi estreou com a camisa do Barcelona e em um jogo de Liga dos Campeões da Europa. Hoje, recomeça a caminhada de um clube que era outro quando tudo aquilo aconteceu. Era menor, menos campeão, menos temido, menos global.

Sim, o Barça é enorme e começou a mudar de patamar de vez nos anos 70, com a contratação de Cruyff. A partir da chegada de Maradona, em 1982, o clube começou a ter elencos fortes, sempre com astros mundiais e europeus. O time atual é, sem muita sombra de dúvidas, o menos estrelado do Barça em quatro décadas.

A caminhada europeia pós-Messi recomeça com um adversário que ninguém gostaria de enfrentar. O Bayern de Munique, aquele mesmo que um ano e alguns dias atrás impunha a derrota mais humilhante da história do Barça, o 8 a 2 na bolha de Lisboa. Um resultado que parecia ser o grande catalisador da saída de Messi. Não foi.

Suárez se mandou. Logo depois, Bartomeu renunciou. Messi ficou. Quis continuar. Mas não deu. A contragosto, partiu a Paris para tentar dar um título inédito ao PSG - o único clube que poderia pagá-lo.

É difícil tentar lembrar de um Barcelona sem uma grande estrela mundial, como o que veremos nesta terça, em um Camp Nou com 40% da capacidade (aproximadamente 40 mil pessoas). Porque Messi vou virar uma estrela mesmo na temporada 2006/2007, ali já se via que era um jogador extra-classe. Mas, antes dele, lá estava Ronaldinho. E, antes, Rivaldo. Antes, Ronaldo. Romário. Stoichkov. Lineker. Maradona. Schuster.

Alguns podem colocar o dedo na temporada 2002/2003, 19 anos atrás, quando o Barça havia perdido Rivaldo e ainda não tinha contratado Ronaldinho, que chegou em 2003. Mas não era um Barça sem estrelas. Tinha um tal Riquelme, contratado junto ao Boca Juniors por 10 milhões de euros - muita grana na época.

Era o Barça dos holandeses, de Van Gaal, Kluivert, Overmars, Cocu, De Boer e outros. Do capitão Luís Enrique. E que já tinha aparecendo no time de cima uma certa rapaziada: Puyol, Xavi e Iniesta. Foi o último ano da presidência de Joan Gaspart, antes da primeira vitória eleitoral de Joan Laporta - que, hoje, é o presidente de novo. Naquela temporada, o Barcelona acabou o Campeonato Espanhol em uma medonha sexta colocação.

E vejam, não é que esta era uma enorme zebra. Nos anos anteriores, o Barça havia ficado na quarta colocação da Liga por duas temporadas seguidas. A temporada 2003/2004, a última pré-Messi, foi também a última de um Barcelona fora da Champions League - jogou a antiga Copa da Uefa e foi eliminado nas oitavas de final.

Quando Messi estreou no time de cima do Barça, a lista de títulos espanhóis mostrava uma vantagem de 29 a 16 para o Real Madrid. Da estreia de Messi em diante, o Barça ganhou o dobrou de títulos espanhóis que o rival e hoje o placar é de 34 a 26, o clube nunca mais ficou fora do top 3, como havia acontecido no início do século. Na Copa do Rei, a vantagem do Barça saltou de 24 a 17 para 31 a 19.

E na Champions League? Bem, o Barça pré-Messi tinha um título máximo europeu em sua história. Hoje, tem cinco. Além de nunca mais ter faltado ao torneio. Que tal?

Hoje, no lugar de Messi, jogará Memphis Depay. Bom jogador, o holandês começou com tudo sua caminhada no Barça. Mas não é uma estrela mundial.

O Barcelona deve ir a campo para seu primeiro jogo pós-Messi com Ter Stegen; Araujo, Piqué e Lenglet; Sergi Robergo, De Jong, Busquets, Pedri e Alba; Depay e Luuk De Jong - atacante do Sevilla, de 31 anos, que chega emprestado. Phillipe Coutinho pode voltar a jogar após nove meses, vai ficar no banco. Ansu Fati e Dembélé estão machucados ainda, assim como o Kun Aguero.

Falei bons nomes, jogadores de seleção. Mas... estrelas?

Já o Bayern de Munique deve entrar em campo com Neuer; Pavard, Umpamecano, Lucas Hernández e Davies; Kimmich e Goretzka; Gnabry, Muller e Sané; Lewandowski. Um time com campeões do mundo em 2014, em 2018, com um zagueiro que todos queriam no mercado, com um dos melhores meio-campistas da atualidade e o número 9 mais letal. Só isso.

É a base do Bayern campeão da Champions em 2020, que acabou caindo diante do PSG (assim como o Barcelona) na Champions de 2021. Um dos fortes favoritos para ser campeão da Europa novamente em 2022.

O Barcelona, em seu primeiro jogo europeu pós-Messi, tem diante do si um dos piores confrontos possíveis. Não seria surpreendente se acabasse goleado. O caminho sem o maior jogador da história do clube será longo, muito longo.

Grandes estrelas do Barça nas últimas quatro décadas:

82-84 Maradona
84-86 Schuster
86-89 Lineker
89-94 Laudrup
90-95 Stoichkov
93-95 Romário
94-96 Hagi
95-00 Figo
96-97 Ronaldo
97-02 Rivaldo
98-15 Xavi
02-18 Iniesta
02-03 Riquelme
03-08 Ronaldinho
04-21 Messi