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Julio Gomes

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Gomes: O encontro de Messi com a Argentina em uma noite apoteótica

Messi comemora gol da Argentina sobre a Bolívia pelas Eliminatórias  - Juan Ignacio RONCORONI / POOL / AFP
Messi comemora gol da Argentina sobre a Bolívia pelas Eliminatórias Imagem: Juan Ignacio RONCORONI / POOL / AFP
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Julio Gomes

Julio Gomes é jornalista esportivo desde que nasceu. Mas ganha para isso desde 1998, quando começou a carreira no UOL, onde foi editor de Esporte e trabalhou até 2003. Viveu por mais de 5 anos na Europa - a maior parte do tempo em Madrid, mas também em Londres, Paris e Lisboa. Neste período, estudou, foi correspondente da TV e Rádio Bandeirantes e comentarista do Canal+ espanhol, entre outras publicações europeias. Após a volta para a terrinha natal, foi editor-chefe de mídias digitais e comentarista da ESPN e também editor-chefe da BBC Brasil. Já cobriu cinco Copas do Mundo e, desde 2013, está de volta à primeira das casas.

09/09/2021 22h39

A Argentina fez 3 a 0 na Bolívia, com três gols de Messi - que tornou-se o jogador sul-americano com mais gols por uma seleção do continente, superando Pelé.

Foi uma espécie de encontro. A Argentina não jogava diante do público havia um ano e meio. Mas não é deste reencontro que estou falando. Talvez o torcedor argentino nunca tenha verdadeiramente se encontrado com Messi. Ele meteu três gols, levantou uma taça, sorriu, chorou. O homem Messi finalmente apresentou-se aos apaixonados e apaixonadas de seu país.

A Copa América mudou tudo. Os argentinos não eram campeões de nada havia 28 anos, é tempo demais. E Messi, apesar de ter sido tantas vezes eleito o melhor do mundo, estava se aproximando da aposentadoria sem conseguir dar um troféu sequer para seu país.

Já nem estamos falando de Copa do Mundo, algo que o igualasse a Maradona. Não, qualquer título bastaria. Parecia que não viria. Mas veio. Aquele 1 a 0 sobre o Brasil, em julho, tirou um peso de elefante das costas dos nossos vizinhos.

O ambiente no Monumental de Nuñez, nesta quinta-feira, era outro. Fazia tempo que não se via uma Argentina leve em campo e em sua relação com as arquibancadas. Messi já não é, sem a bola, o Messi de dez anos atrás. Corre menos, anda mais, quase não pressiona. Óbvio, a idade chega para todos.

Mas hoje Messi sorri, se diverte, coisa que raras vezes vimos fazer com a camisa da Argentina. Era uma "sofrência" danada ver Messi com a 10 albiceleste. Um sofrimento para ele, para os argentinos e para todos que gostam dele e de futebol.

Agora, não. Agora Messi tem um time organizado em torno dele e em paz. Ele já não é mais o de antes. Mas ainda é um gênio, um monstro, capaz de fazer coisas como as que fez contra a Bolívia. O primeiro gol, com direito a bola no meio das pernas do rival antes da finalização, é uma pintura. E ainda vieram outros dois.

Contra a Bolívia também vale. A Argentina não andava ganhando fácil nem de seleções assim. Lembrem-se que uma Argentina bagunçada e em crise ficou a um passo de ganhar da França nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2018, que seria conquistada pelos próprios franceses. O talento existe. A confiança é que estava dizimada e, agora, foi resgatada.

A um ano da próxima Copa, vemos uma Argentina bastante diferente. Se Messi chegar lá inteiro fisicamente, eles passam a ser candidatos de verdade.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL