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Julio Gomes

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Gomes: Com os laterais que tem, Tite deveria testar variação tática

Marquinhos (4) abraça os jogadores da seleção brasileira no jogo contra o Chile, pelas Eliminatórias - Lucas Figueiredo/CBF
Marquinhos (4) abraça os jogadores da seleção brasileira no jogo contra o Chile, pelas Eliminatórias Imagem: Lucas Figueiredo/CBF
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Julio Gomes

Julio Gomes é jornalista esportivo desde que nasceu. Mas ganha para isso desde 1998, quando começou a carreira no UOL, onde foi editor de Esporte e trabalhou até 2003. Viveu por mais de 5 anos na Europa - a maior parte do tempo em Madrid, mas também em Londres, Paris e Lisboa. Neste período, estudou, foi correspondente da TV e Rádio Bandeirantes e comentarista do Canal+ espanhol, entre outras publicações europeias. Após a volta para a terrinha natal, foi editor-chefe de mídias digitais e comentarista da ESPN e também editor-chefe da BBC Brasil. Já cobriu cinco Copas do Mundo e, desde 2013, está de volta à primeira das casas.

03/09/2021 00h06

O Brasil fez um péssimo primeiro tempo contra o Chile e deveria ter ido para o intervalo perdendo. Não foi, méritos de Weverton, demérito dos chilenos. No intervalo, Tite melhorou o time, a seleção cresceu e fez por merecer o gol da vitória, marcado por Éverton Ribeiro.

O Brasil já está classificado para a Copa do Mundo. Domina as eliminatórias sul-americanas, que são, no meu ponto de vista, uma disputa muito mais acirrada do que a pontuação brasileira sugere. Considerando este fato e as ausências forçadas nesta rodada tripla de setembro, só há uma coisa a fazer: encontrar alternativas que, daqui a um ano, podem se transformar em soluções.

O jogo do primeiro tempo não é uma alternativa e nem solução. Dar a bola para o adversário, se defender e sair para contra atacar? Não, o Brasil não fará isso em 2022. E, com os jogadores que tem, a seleção nem precisa treinar esse tipo de situação.

A realidade que a seleção enfrentará será a de adversários fechados, com marcação dura sobre Neymar e poucos espaços. O que Tite precisa é encontrar modos para dominar o jogo e sucumbir o rival.

Nesta busca, creio que falta a Tite testar a seleção com três zagueiros. Não importa muito se gosta ou não gosta. É uma realidade do futebol de hoje em dia. Muita gente joga assim, é fundamental o Brasil jogar algumas partidas assim e treinar assim. Até porque há um flagrante problema nas laterais, como vimos no primeiro tempo.

Danilo será mesmo titular na Copa do Mundo? Se não for ele, quem será? Daniel Alves? Danilo funcionaria como terceiro zagueiro, talvez. Daniel atua melhor se tiver mais liberdade de ação no meio de campo e não mais numa linha de quatro atrás. Do outro lado, as melhores soluções são ofensivas (Arana, Lodi). Para jogar na linha de quatro, aí tem que ser Alex Sandro, e aí a parte de construção e profundidade ficam prejudicadas.

Os laterais que o Brasil tem não são os ideais para jogar com quatro atrás, seria importantíssimo testar o time com linha de três e usar as laterais como parte da construção ofensiva do jogo, não necessariamente com titulares de ofício jogando por ali. Do meio para frente, o Brasil tem muito mais jogadores à disposição que possam jogar por dentro, por fora, em qualquer lugar.

O próprio Éverton Ribeiro, que entrou muito bem na partida e fez o gol da vitória, pode ser uma opção jogando mais aberto. Não falta mobilidade para os jogadores que Tite costuma convocar, muitos deles atuam em várias posições em seus clubes.

Outra opção que este sistema daria seria a presença de atacantes móveis, como Gabriel Jesus ou Gabriel Barbosa, mais na área e menos abertos. Eles poderiam fazer mais coisas.

Eu sei que sempre se exige da seleção brasileira a vitória. Mas, sinceramente, os resultados pouco importam nas eliminatórias. O resultado que importa é o do Catar. E, para chegar bem lá, o leque de Tite precisava ser maior.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL