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Julio Gomes

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Casamento Flamengo-Renato ocorre com um ano de atraso e deve dar certo

Renato Gaúcho, novo técnico do Flamengo - Reprodução / Internet
Renato Gaúcho, novo técnico do Flamengo Imagem: Reprodução / Internet
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Julio Gomes

Julio Gomes é jornalista esportivo desde que nasceu. Mas ganha para isso desde 1998, quando começou a carreira no UOL, onde foi editor de Esporte e trabalhou até 2003. Viveu por mais de 5 anos na Europa - a maior parte do tempo em Madrid, mas também em Londres, Paris e Lisboa. Neste período, estudou, foi correspondente da TV e Rádio Bandeirantes e comentarista do Canal+ espanhol, entre outras publicações europeias. Após a volta para a terrinha natal, foi editor-chefe de mídias digitais e comentarista da ESPN e também editor-chefe da BBC Brasil. Já cobriu cinco Copas do Mundo e, desde 2013, está de volta à primeira das casas.

10/07/2021 19h47

É curioso como algumas "uniões" simplesmente não dão certo. O casamento entre Flamengo e Rogério Ceni nasceu morto. Nunca houve empatia, química. Sei lá se é o sotaque, o jeito, o perfil. Rogério foi campeão brasileiro pelo Flamengo muito mais por causa dos outros do que de Rogério ou do Flamengo.

São Paulo, Atlético-MG, Inter, todos tiveram o campeonato nas mãos. E ele caiu no colo do Flamengo. Mas nem isso serviu para gerar amor entre as partes - ou pelo menos por parte do Flamengo, um clube cada vez mais "refém" de sua torcida digital. Eu não sei o quanto a torcida digital do Flamengo representa mesmo a "Nação", mas o fato é que ela tem voz - e não é pouca.

Após algumas derrotas no Brasileirão, o Flamengo resolveu demitir Rogério Ceni e contratar Renato Gaúcho. Um casamento que já deveria ter ocorrido um ano atrás, quando Jorge Jesus se mandou para o Benfica. Eu escrevi isso aqui no blog em julho de 2020.

Na época, os dirigentes rubro-negros brincavam de entendidos de futebol e vieram à Europa "entrevistar" treinadores. A solução morava ao lado, sempre morou.

Não sei por que Renato não topou assumir o Flamengo no início da gestão Landim, lá em 2019. Mas aquele "não" gerou a bronca que resultou em mais um ano de atraso, a aventura com Domenech e a experiência com Rogério - que, convenhamos, não pode ser chamada de mal sucedida. Apenas não rolou.

Renato já deveria ser técnico do Flamengo há dois anos e meio, e possivelmente o Flamengo seria campeão das mesmas coisas que foi. Vou repetir aqui as palavras escritas neste mesmo blog no ano passado:

"Renato tem a cara do clube, a cara da atual gestão, a cara do Rio, apesar do gaúcho no "nome". É um ex-ídolo no campo e já mostrou, no banco, que entende do riscado. O Grêmio jogou muita bola nos últimos anos, e o material humano era menos farto. Se o Flamengo quer apostar em bom futebol, a aposta em Renato é bem feita. Sem o risco de problemas de adaptação ao país, à cidade, a jogadores mimados ou ao futebol local."

É isso. Renato é a cara deste Flamengo. E o Flamengo é a cara de Renato. A chance de dar certo é grande.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL