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Julio Gomes

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

A Copa é de Messi. A final, De Paul

Jogadores da Argentina comemoram gol de Di María na final da Copa América contra o Brasil, no Maracanã - Thiago Ribeiro/Thiago Ribeiro/AGIF
Jogadores da Argentina comemoram gol de Di María na final da Copa América contra o Brasil, no Maracanã Imagem: Thiago Ribeiro/Thiago Ribeiro/AGIF
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Julio Gomes

Julio Gomes é jornalista esportivo desde que nasceu. Mas ganha para isso desde 1998, quando começou a carreira no UOL, onde foi editor de Esporte e trabalhou até 2003. Viveu por mais de 5 anos na Europa - a maior parte do tempo em Madrid, mas também em Londres, Paris e Lisboa. Neste período, estudou, foi correspondente da TV e Rádio Bandeirantes e comentarista do Canal+ espanhol, entre outras publicações europeias. Após a volta para a terrinha natal, foi editor-chefe de mídias digitais e comentarista da ESPN e também editor-chefe da BBC Brasil. Já cobriu cinco Copas do Mundo e, desde 2013, está de volta à primeira das casas.

10/07/2021 23h07

Normalmente, quem é jogado para cima após um título é o técnico. Neste sábado, foi Messi. Após tantas bolas na trave, Messi, afinal, consegue ser campeão com a seleção absoluta da Argentina. Vai-se embora uma fila (inaceitável) de 28 anos.

A Copa América não é nada demais? Pode ser. Mas depois de tanto tempo sem ganhar nada e, durante boa parte deste tempo, tendo o melhor jogador do mundo à disposição, a Argentina precisava levantar um troféu.

A Copa da vergonha, pois um país com mais de 500 mil mortos deveria estar cuidando na pandemia, não de torneio de futebol, não poderia mesmo acabar nas mãos do Brasil. Não que Tite e os jogadores tenham a ver com isso, mas a nação tem. E o Brasil dorme com este tapa na cara. A Argentina é campeã em pleno Maracanã. Se fosse no Monumental de Nuñez esta final, talvez o resultado fosse outro.

É a Copa de Messi. Mas foi a final de outro jogador: Rodrigo De Paul, recentemente contratado pelo Atlético de Madrid junto à Udinese. Foi uma final monstruosa deste meio-campista, que não só ditou o ritmo e organizou a Argentina, mas também desarmou e impediu que o Brasil construísse por ali.

De Paul estava em todos os lugares. Fez o ótimo lançamento para o gol de Di María, que marcou após a falha de Renan Lodi. E deu um gol de presente para consagrar Messi, que Léo perdeu "à la Higuaín". De Paul foi gigante defendendo e atacando, é um símbolo do futebol coletivo apresentado pela Argentina ao longo do torneio.

Messi já pode se aposentar em paz. Não seria possível um jogador gigantesco como ele ficar a carreira toda sem conquistar um título sequer pela Argentina.

E o Brasil? Foi um mau torneio. Começou mal e se arrastou até este final triste. Não é possível tirar do contexto tudo o que aconteceu. Parece que o time, construído ao longo deste ciclo, se desconstruiu na Copa América, com muito espaço para caras que talvez não devessem ter tanto espaço.

Não tenho dúvidas de que esta final servirá muito para o Brasil de olho na Copa do Mundo de 2022. Não seria nada mal arrumar um De Paul para o meio-de-campo.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL