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Julio Gomes

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Inglaterra espanta seus fantasmas chegando à final da Eurocopa

Harry Kane comemora gol da Inglaterra na semifinal contra a Dinamarca pela Eurocopa - DeFodi Images via Getty Images
Harry Kane comemora gol da Inglaterra na semifinal contra a Dinamarca pela Eurocopa Imagem: DeFodi Images via Getty Images
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Julio Gomes

Julio Gomes é jornalista esportivo desde que nasceu. Mas ganha para isso desde 1998, quando começou a carreira no UOL, onde foi editor de Esporte e trabalhou até 2003. Viveu por mais de 5 anos na Europa - a maior parte do tempo em Madrid, mas também em Londres, Paris e Lisboa. Neste período, estudou, foi correspondente da TV e Rádio Bandeirantes e comentarista do Canal+ espanhol, entre outras publicações europeias. Após a volta para a terrinha natal, foi editor-chefe de mídias digitais e comentarista da ESPN e também editor-chefe da BBC Brasil. Já cobriu cinco Copas do Mundo e, desde 2013, está de volta à primeira das casas.

07/07/2021 18h37

Nós, brasileiros, somos exigentes demais com o futebol - a seleção e os times. Querem uma prova? Pensem que a maior parte da população inglesa, uma nação apaixonada por futebol, inventora do esporte e dona da principal liga do mundo já há muito tempo, nunca viu sua seleção jogar uma final.

Isso mesmo. Desde 1966, a Inglaterra não chegava à final de um torneio grande - Copa do Mundo ou Eurocopa. Depois de 55 anos, muitas frustrações, tristezas e também muita arrogância, a Inglaterra chega à decisão europeia. Enfrentará a Itália, domingo, em Wembley, sua casa. É a chance de ouro para voltar a ser campeã.

A vitória por 2 a 1 sobre a Dinamarca veio com drama, foi conquistada de virada e na prorrogação. É verdade que os dinamarqueses pressionaram um pouco no fim e tiveram bons momentos no jogo, nunca sentiram o peso de jogar fora de casa. Mas o fato é que a Inglaterra mostrou-se o melhor time, com mais opções e um Sterling que vai se colocando como candidato único a melhor jogador da Euro. A vitória foi justa.

A Euro acaba sendo uma espécie de extensão da final da Champions, uma final inglesa, com certeza, entre Chelsea e Manchester City. Um punhado de jogadores dos dois times se destacaram ao longo do torneio de seleções também.

A Inglaterra olhou o que Holanda, França, Bélgica, Alemanha, Portugal e Espanha fizeram e, com alguma demora, resolveu apostar na base. Não só investir, mas pensar a base, criar um programa organizado, lógico, estudado, de geração de talentos. Isso começou há mais ou menos 10 anos. E, como sempre acontece, em qualquer lugar do mundo, os resultados foram ocorrendo, de baixo para cima.

Agora, chegou a vez de a absoluta atingir seu grande momento. Com uma seleção jovem e talentosa, que foi forjada e, não, resultado de pura sorte. Quando falaram da "ótima geração inglesa", pensem que ela não surgiu do nada.

É sempre um enorme desafio para jogadores ingleses encontrar um equilíbrio entre o hiperdimensionamento e o subdimensionamento de suas capacidades. Em outras palavras: nem entrar no oba-oba e subir no salto e nem achar que vencer é impossível.

Depois de uma semifinal de Copa do Mundo, esta sim, inesperada, parecia que a Inglaterra estava madura para conquistar a Europa. Eu, pessoalmente, apostei contra. Porque já cansei de ver seleções inglesas chegarem a um torneio cheias de esperança e sucumbirem retumbantemente. Mas este English Team é diferente, bem diferente. É um time mais sólido, com mais bola do que nomes.

É favorita na final? Poderíamos dizer que sim por dois fatores: jogar em casa e ter feito uma semifinal melhor do que sua adversária. Mas a Itália carrega também um grande ciclo, uma invencibilidade de 33 jogos e quase três anos e, creio eu, jogará livre da pressão, que está todinha em cima da Inglaterra.

A Itália sabe ser campeã. Sabe muito mais do que a Inglaterra. Eu não sou capaz de apontar favorita. Se olharmos para a história das Eurocopas, sou apenas capaz de dizer que, fique com quem fique, o título europeu estará em mãos inesperadas. E merecidas.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL