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Julio Gomes

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Eliminação precoce da França lembra a do Brasil em 2006

Mario Gavranovic comemora gol da Suíça contra a França pela Eurocopa - Getty Images
Mario Gavranovic comemora gol da Suíça contra a França pela Eurocopa Imagem: Getty Images
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Julio Gomes

Julio Gomes é jornalista esportivo desde que nasceu. Mas ganha para isso desde 1998, quando começou a carreira no UOL, onde foi editor de Esporte e trabalhou até 2003. Viveu por mais de 5 anos na Europa - a maior parte do tempo em Madrid, mas também em Londres, Paris e Lisboa. Neste período, estudou, foi correspondente da TV e Rádio Bandeirantes e comentarista do Canal+ espanhol, entre outras publicações europeias. Após a volta para a terrinha natal, foi editor-chefe de mídias digitais e comentarista da ESPN e também editor-chefe da BBC Brasil. Já cobriu cinco Copas do Mundo e, desde 2013, está de volta à primeira das casas.

28/06/2021 19h03

A França, grande favorita para ser campeã da Eurocopa, está fora. Adieu, les bleus. De forma surreal, os franceses, campeões do mundo, foram eliminados nos pênaltis pela Suíça, após empate por 3 a 3 com bola rolando.

Surreal por várias razões, já que foi um jogo cheio de alternativas. A Suíça saiu na frente, teve um pênalti para fazer o 2 a 0, desperdiçou, nos quatro minutos seguintes levou a virada. A França fez o 3 a 1 em um golaço de Pogba que parecia a pá de cal. Até porque a Suíça se notabilizou nos últimos anos por sofrer pouquíssimos gols, não por marcá-los em profusão. Mas o jogo "decidido" não estava nada decidido.

Dois gols nos minutos finais decretaram o empate da Suíça. Deu tempo de a França ainda acertar o travessão no tempo regulamentar e criar boas ocasiões de gol na prorrogação. Nos pênaltis, adivinhem quem perdeu? Mbappé, a grande estrela. Os suíços converteram as cinco cobranças e proporcionaram a grande zebra da Euro até agora.

Uma eliminação que me lembra muito a do Brasil na Copa do Mundo de 2006, proporcionada pela própria França, nas quartas de final.

O Brasil chegou àquela Copa como vigente campeão do mundo e grande favorito ao título. Tinha o melhor ou um dos melhores da posição em todas as posições. Do goleiro ao ponta-esquerda, era uma seleção que parecia imbatível. Mas nunca mostrou no campo razões para ser considerado tão favorito. E acabou, de fato, sucumbindo.

Apesar de a Europa ter outras ótimas seleções, a França chegou à Eurocopa como destacada favorita. Tal qual o Brasil em 2006, uma seleção que chegava ao torneio como campeã do mundo e com jogadores ótimos em todos os setores, em todas as posições. Com dois candidatos à Bola de Ouro (Mbappé e Kanté) e ainda o acréscimo de Benzema, que estava afastando da seleção havia cinco anos e que fez uma temporada extraordinária pelo Real Madrid.

Kanté, Pogba, Griezmann, Benzema, Mbappé...

Quem iria ganhar da França? A Alemanha chegava em péssima fase; a Espanha, com uma seleção muito nova e pouco provada, assim como a Itália e a Inglaterra; Bélgica e Croácia, já virando o fio e com jogadores baleados; Portugal, com um time melhor do que a bola que jogava. Enfim. Sim, havia e há bons times. Mas nenhum tão completo e cumprindo todos os requisitos necessários, como a França.

Assim é o futebol. É sempre complicado fazer valer o favoritismo. Estão todos de olho, analisando, estudando maneiras de derrubar o melhor time.

Nem sei se a Suíça encontrou tantas soluções táticas assim. Encontrou oportunidades e fez os franceses pagarem o preço de acharem que o jogo estava definido. A França chegará forte novamente à Copa do Mundo, ano que vem. Mas a rainha da Europa será outra seleção.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL