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Julio Gomes

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

França e outras favoritas mostram logo as armas na 1a rodada da Eurocopa

França comemora gol contra a Alemanha na estreia da Eurocopa - dpa/picture alliance via Getty Images
França comemora gol contra a Alemanha na estreia da Eurocopa Imagem: dpa/picture alliance via Getty Images
Julio Gomes

Julio Gomes é jornalista esportivo desde que nasceu. Mas ganha para isso desde 1998, quando começou a carreira no UOL, onde foi editor de Esporte e trabalhou até 2003. Viveu por mais de 5 anos na Europa - a maior parte do tempo em Madrid, mas também em Londres, Paris e Lisboa. Neste período, estudou, foi correspondente da TV e Rádio Bandeirantes e comentarista do Canal+ espanhol, entre outras publicações europeias. Após a volta para a terrinha natal, foi editor-chefe de mídias digitais e comentarista da ESPN e também editor-chefe da BBC Brasil. Já cobriu cinco Copas do Mundo e, desde 2013, está de volta à primeira das casas.

15/06/2021 17h55

A primeira rodada da fase de grupos da Eurocopa acabou com a vitória da França sobre a Alemanha no confronto mais esperado, reunindo as últimas duas campeãs do mundo. A França, principal favorita ao título, e as outras principais candidatas a desbancá-la abriram o torneio mostrando suas armas. Foi uma primeira rodada sem zebras.

No jogo contra a Alemanha, em Munique, a França mostrou se sentir confortável em várias fases do jogo. Quando entregou a bola para a Alemanha, recuou as linhas, se defendeu bem e acelerou para Mbappé nos contra ataques. Quando teve a posse, a seleção de Deschamps mostrou muita hierarquia com a bola nos pés.

No primeiro tempo, Pogba e Kanté dominaram completamente o meio de campo e Griezmann recuou para participar da armação e municiar Mbappé e Benzema. É um time realmente poderoso. Depois de um bom início da Alemanha, o gol francês saiu de uma trivela maravilhosa de Pogbá para Hernádez, virando o jogo e criando a situação de perigo. O cruzamento encontrou Hummels, que foi infeliz e tocou para as próprias redes.

A Alemanha teve a bola no segundo tempo, mas não conseguiu ameaçar. Já Mbappé, em velocidade, causava muitos problemas - fez um gol e deu um passe para gol de Benzema, mas ambos acabaram anulados por impedimentos milimétricos. A França mostrou logo de cara que é mesmo a candidata número 1, pelas armas que tem.

A Alemanha, assim como a Espanha, terminam a primeira rodada aprofundando as dúvidas que pairavam sobre elas. As principais seleções da década passada não venceram, jogam contra a parede na segunda rodada e não dão muita pinta de quem podem chegar ao título. O potencial e o talento estão lá, mas, a confiança, não.

As demais seleções que são consideradas as candidatas a desbancar a França, por outro lado, mostraram suas armas também logo de cara.

A Inglaterra venceu bem a Croácia, na reedição de uma das semifinais da última Copa. Portugal, atual campeão europeu, bateu a Hungria com estádio cheio contra e viu Cristiano Ronaldo destroçar mais recordes com seus dois gols. A Itália abriu a competição com uma contundente vitória sobre a Turquia, e a Bélgica fez o mesmo contra a Rússia.

Apareceram Mbappé, os jovens atacantes ingleses, CR7, Immobile, Lukaku... a turma toda. É a Eurocopa esperada, pelo menos neste início.

Foi um começo de competição totalmente diferente do que aconteceu em 2016, na última Euro. Naquela ocasião, a única favorita que começou bem foi a Alemanha, passando tranquilamente pela Ucrânia. A Itália, que não despertava tantas emoções como agora, começou 2016 vencendo a Bélgica por 2 a 0 - os belgas, sim, eram fortes candidatos. A França, anfitriã, começou vencendo a Romênia com gol aos 44min do segundo tempo. A Espanha também ganhou "in extremis" dos tchecos. A Inglaterra começou empatando, assim como Portugal (contra a Islândia).

Voltando à edição de 2021, os únicos resultados surpreendentes da rodada inicial foram as derrotas de Dinamarca e Polônia para, respectivamente, Finlândia e Eslováquia. A Dinamarca ainda pode explicar o tropeço pela quase tragédia com Eriksen. Mas, de qualquer foram, são seleções médias, e não favoritas ao título.

A segunda rodada começa nesta quarta com três partidas: Finlândia x Rússia (10h de Brasília), Turquia x País de Gales (13h) e Itália x Suíça (16h).

Para quem perdeu na primeira rodada, a segunda já se torna fundamental para a sobrevivência. A Croácia, vice-campeã do mundo, precisará dar uma resposta na sexta, contra a República Tcheca. Mas os grandes jogos serão mesmo no sábado. Hungria x França, novamente com estádio cheio em Budapeste; Alemanha x Portugal, um jogo crucial para os alemães em Munique; e Espanha x Polônia, duas seleções que decepcionaram, em Sevilha.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL