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Julio Gomes

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

São Paulo tem pior início na era dos pontos corridos. Coincidência?

Reinaldo em ação pelo São Paulo contra o Galo - Rubens Chiri / saopaulofc.net
Reinaldo em ação pelo São Paulo contra o Galo Imagem: Rubens Chiri / saopaulofc.net
Julio Gomes

Julio Gomes é jornalista esportivo desde que nasceu. Mas ganha para isso desde 1998, quando começou a carreira no UOL, onde foi editor de Esporte e trabalhou até 2003. Viveu por mais de 5 anos na Europa - a maior parte do tempo em Madrid, mas também em Londres, Paris e Lisboa. Neste período, estudou, foi correspondente da TV e Rádio Bandeirantes e comentarista do Canal+ espanhol, entre outras publicações europeias. Após a volta para a terrinha natal, foi editor-chefe de mídias digitais e comentarista da ESPN e também editor-chefe da BBC Brasil. Já cobriu cinco Copas do Mundo e, desde 2013, está de volta à primeira das casas.

13/06/2021 18h52

O São Paulo priorizou o Paulistão e conseguiu o que queria: saiu da fila. Mas no Brasileiro tem o pior início da era pontos corridos. Nunca o Tricolor havia passado as três primeiras rodadas sem marcar um gol sequer e com apenas um ponto ganho - que veio no empate sem gols contra o Fluminense.

Para encontrar algo parecido, temos que voltar a 2009. Naquele ano, assim como em 2008 e em 2003, o São Paulo começou o campeonato com dois empates e uma derrota - dois pontos ganhos, portanto.

Em 2003 e em 2009, ganhou na quarta partida. Em 2008, ficou os quatro primeiros jogos sem vencer (derrota para o Grêmio, empates contra Athletico-PR, Coritiba e Santos) e só venceu na quinta rodada. Foram três pontos ganhos e só dois gols marcados. Mas o torcedor vai se lembrar com carinho daquele campeonato. Apesar do péssimo início, o time acabou sendo campeão pela terceira vez seguida.

Era outro São Paulo, era o "soberano". Em 2021, o São Paulo fez o inimaginável. Priorizou o Paulistão e chegou a colocar time reserva na Libertadores. Logicamente, não o fez no Brasileiro.

Mas a intensidade monstruosa colocada no Paulista teve efeito negativo neste início do Brasileiro. Uma mistura de ressaca do título com diferença brutal de nível. De Mirassol, Ferroviária e outros times do interior, o São Paulo passou a jogar contra rivais de Libertadores, como Fluminense ou Atlético-MG.

No Brasileiro, cada jogo é uma pedreira e a demanda física e mental é enorme. A priorização do Paulistão, emendando na desgastante temporada 2020, já começou a passar fatura física. Os desfalques estão fazendo falta. É uma bola que cantamos há tempos.

Pelo fim da fila, tudo valeu à pena? Pode ser. É uma opção honesta e que certamente deixou o torcedor feliz. Muitos, empolgados, achavam que a porteira estava aberta e passariam a vir títulos grandes em profusão. No Brasileiro, a coisa já vai ficando difícil, por mais cedo que seja.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL