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Julio Gomes

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Borja faz a Argentina pagar o "custo Otamendi"

Nicolas Otamendi em jogo pela Argentina - REUTERS/Luisa Gonzalez
Nicolas Otamendi em jogo pela Argentina Imagem: REUTERS/Luisa Gonzalez
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Julio Gomes

Julio Gomes é jornalista esportivo desde que nasceu. Mas ganha para isso desde 1998, quando começou a carreira no UOL, onde foi editor de Esporte e trabalhou até 2003. Viveu por mais de 5 anos na Europa - a maior parte do tempo em Madrid, mas também em Londres, Paris e Lisboa. Neste período, estudou, foi correspondente da TV e Rádio Bandeirantes e comentarista do Canal+ espanhol, entre outras publicações europeias. Após a volta para a terrinha natal, foi editor-chefe de mídias digitais e comentarista da ESPN e também editor-chefe da BBC Brasil. Já cobriu cinco Copas do Mundo e, desde 2013, está de volta à primeira das casas.

08/06/2021 22h34

Um gol de Borja em sua casa - Barranquilla -, aos 49min do segundo tempo, deu à Colômbia o empate contra a Argentina, pelas Eliminatórias Sul-Americanas para a Copa.

Com 7min de partida, já estava 2 a 0 para a Argentina. A partir daí, logicamente, o jogo passou a ter um desenho claro. A Colômbia atacava, a Argentina se defendia e tentava contra atacar. Não há empate sem primeiro gol. E o primeiro gol vai para a conta de Otamendi, que cometeu um pênalti absurdo e desnecessário no início da segunda etapa.

Otamendi é um risco constante. Confesso que nunca entendi como sobreviveu tanto tempo em um time top europeu, como o Manchester City, e como sobrevive há tanto tempo como titular absoluto de uma seleção top do mundo, como a Argentina. Eu certamente não enxergo o que gente como Guardiola enxerga. Mas enfim.

Os problemas defensivos da Argentina são antigos e talvez expliquem os quase 30 anos sem um título da seleção absoluta. Com Otamendi, serão mais anos.

A partida na Colômbia foi dura, cheia de paralisações, encontrões, reclamações. Jogar contra a Colômbia nunca foi fácil e esta é a noção geral que temos, talvez pela memória dos 5 a 0 de 1993, em Nuñez. Mas o fato é que a Argentina vencera na Colômbia nas últimas duas eliminatórias para as Copas - quase veio a terceira.

No segundo tempo, a Argentina perdeu um pouco do controle do jogo, principalmente após a saída de Lo Celso. Ainda assim, Messi cobrou uma falta que tocou o travessão, após desvio de Ospina, e o goleiro colombiano ainda fez uma defesaça nos instantes finais, pouco antes do empate de Borja.

Não foi Otamendi que falhou no empate. Borja, que está jogando muito na temporada, subiu mais que Foyth, que havia entrado para segurar o placar na etapa final. Os problemas da zaga são vários e antigos, como eu já disse. Não é só Otamendi. Mas o Otamendi...

A Argentina chega à Copa América com um nítido avanço em termos de competitividade. Messi ganhou um companheiro de peso com um Lautaro Martínez que mudou de patamar. De Paul, no meio, é outro que vem de grande temporada. Enfim, do meio para frente tem coisa interessante ali. Para trás é que é o problema.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL