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Julio Gomes

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Primeira rodada do Brasileiro é uma grande festa nordestina

Yago PIkachu comemora gol do Fortaleza sobre o Atlético-MG em jogo do Brasileirão 2021 - Fernando Moreno/AGIF
Yago PIkachu comemora gol do Fortaleza sobre o Atlético-MG em jogo do Brasileirão 2021 Imagem: Fernando Moreno/AGIF
Julio Gomes

Julio Gomes é jornalista esportivo desde que nasceu. Mas ganha para isso desde 1998, quando começou a carreira no UOL, onde foi editor de Esporte e trabalhou até 2003. Viveu por mais de 5 anos na Europa - a maior parte do tempo em Madrid, mas também em Londres, Paris e Lisboa. Neste período, estudou, foi correspondente da TV e Rádio Bandeirantes e comentarista do Canal+ espanhol, entre outras publicações europeias. Após a volta para a terrinha natal, foi editor-chefe de mídias digitais e comentarista da ESPN e também editor-chefe da BBC Brasil. Já cobriu cinco Copas do Mundo e, desde 2013, está de volta à primeira das casas.

31/05/2021 04h00

É claro que quase todos os olhos estavam voltados para o Flamengo x Palmeiras na primeira rodada do Campeonato Brasileiro. Afinal, são os dois times que vem dominando o futebol nacional, os mais ricos, com elencos mais fartos e naturalmente candidatos mais fortes para o título.

Entre os favoritos, foi sem dúvida o Flamengo que teve a rodada perfeita. Venceu o rival direto e ainda viu São Paulo, Atlético-MG, Grêmio e Inter, os outros supostos candidatos, tropeçarem.

Mas outra coisa me chamou atenção. Três dos tropeços dos favoritos citados acima foram contra equipes do Nordeste. Foi uma rodada muito nordestina. Vitórias grandes do Bahia (3 a 0 no Santos), do Fortaleza (2 a 1 no Galo) e do Ceará (3 a 2 no Grêmio) e um empate heróico do Sport (2 a 2 com o Inter).

Quando qualquer Brasileirão começa e é feito aquele "exercício de adivinhação" (quem vai ser campeão, G4, rebaixados, etc), é sempre um pouco automático colocar as equipes do Nordeste como candidatas a cair.

De fato, se olharmos para a história dos Brasileiros, só encontraremos cinco ou mais equipes nordestinas na competição quando as edições foram inchadas (os últimos casos ocorreram em 2000, a tal Copa João Havelange, e 1992, com a virada de mesa para resgatar o Grêmio). Nos campeonatos de tamanho "normal", mesmo os de 26 clubes, no início nos pontos corridos, o mais comum sempre foi a presença de dois ou três times do Nordeste. Em 2015, chegou a ter só um: o Sport.

Mas, sem muito estardalhaço, já estamos na quarta temporada consecutiva com quatro clubes do Nordeste - o que nunca havia ocorrido nos pontos corridos. Logo mais, a barreira será rompida e teremos cinco pela primeira vez, é apenas questão de tempo.

Voltaremos a ter um campeão nordestino, como foi o Bahia em 1988? Acho difícil. Os pontos corridos são muito cruéis, é um campeonato de orçamentos, basicamente. Sobram, portanto, os mata-matas. De repente uma Copa do Brasil, como foi com o Sport, talvez uma Sul-Americana.

O Ceará aposta em um modelo esportivo com Guto Ferreira, o Fortaleza ousou com Ceni, agora ousa com Vojvoda, o Bahia ainda busca a estabilidade esportiva, mas está fazendo coisas interessantes fora do campo. O Sport, dos quatro, é o que parece menos sólido - mas o potencial está lá.

Silenciosamente, vemos gestões mais responsáveis, finanças mais ajustadas e clubes do Nordeste fazendo campeonatos bem mais sólidos. O de 2021 não poderia ter começado melhor. Como vai acabar? Só saberemos lá na frente.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL