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Julio Gomes

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Kanté foi o melhor jogador da Champions e merece a Bola de Ouro

Jogadores do Chelsea comemoram título da Champions com a taça; Kanté está lá no cantinho, discreto, como sempre - Michael Steele/Getty Images
Jogadores do Chelsea comemoram título da Champions com a taça; Kanté está lá no cantinho, discreto, como sempre Imagem: Michael Steele/Getty Images
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Julio Gomes

Julio Gomes é jornalista esportivo desde que nasceu. Mas ganha para isso desde 1998, quando começou a carreira no UOL, onde foi editor de Esporte e trabalhou até 2003. Viveu por mais de 5 anos na Europa - a maior parte do tempo em Madrid, mas também em Londres, Paris e Lisboa. Neste período, estudou, foi correspondente da TV e Rádio Bandeirantes e comentarista do Canal+ espanhol, entre outras publicações europeias. Após a volta para a terrinha natal, foi editor-chefe de mídias digitais e comentarista da ESPN e também editor-chefe da BBC Brasil. Já cobriu cinco Copas do Mundo e, desde 2013, está de volta à primeira das casas.

29/05/2021 20h12

O Chelsea ganhou sem sustos do Manchester City na final do Porto. Desde a chegada de Thomas Tuchel ao clube, foram 15 gols sofridos em 30 jogos. O sistema defensivo ficou estruturalmente mais forte, o que permitiu ao time ganhar posições na Premier e passar de fases na Liga dos Campeões, superando os dois grandes de Madri. Na final, não deu chances ao time de Guardiola.

A chave para tudo isso? N'Golo Kanté.

O francês foi eleito o melhor jogador da final. Mas ele foi mais que isso. Foi o melhor jogador da Champions. E não é absurdo algum pensar que mereça a Bola de Ouro - ainda que eu concorde que isso seja quase impossível.

O curriculum de Kanté impressiona. Campeão inglês com o Leicester, quando aparece para o mundo. Campeão da Copa com a França. E, agora, campeão da Champions com o Chelsea. Será que qualquer um dos três feitos seria possível sem ele? Kanté é um pilar nos times em que joga. Traz solidez defensiva e dinamismo ao meio de campo, permite que companheiros desempenhem melhor seus papéis, impede que adversários façam aquilo que gostam.

Ainda na Rússia, três anos atrás, escrevi para o UOL sobre o fenômeno que Kanté havia se transformado junto ao público francês. "Ele é a anti-estrela, e isso faz dele ainda mais popular", contou Nicolas Viot, do canal pan-europeu Eurosport, com sede em Paris.

Kanté nasceu em Paris, filho de imigrantes do Mali. Chegou a trabalhar recolhendo lixo das ruas. Aos 11 anos, perdeu o pai. Poderia ter virado qualquer coisa, mas se encontrou com o futebol. Os relatos de companheiros de time são unânimes: é a humildade em pessoa, nunca foi deslumbrado, nunca se enganou com a fama.

Kanté sempre soube o que precisava fazer e continua sabendo. É o sonho de qualquer técnico, de qualquer companheiro de equipe. Em uma temporada com alguns destaques individuais, mas nenhum tão acima dos outros, por que não homenagear os grandes "motorzinhos" da história do futebol na figura de Kanté?

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL