PUBLICIDADE
Topo

Julio Gomes

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

'Europeia', seleção espanhola não depende mais de Real Madrid e Barcelona

Sergio Ramos, zagueiro do Real Madrid - Jose Breton/Pics Action/NurPhoto via Getty Images
Sergio Ramos, zagueiro do Real Madrid Imagem: Jose Breton/Pics Action/NurPhoto via Getty Images
Conteúdo exclusivo para assinantes
Julio Gomes

Julio Gomes é jornalista esportivo desde que nasceu. Mas ganha para isso desde 1998, quando começou a carreira no UOL, onde foi editor de Esporte e trabalhou até 2003. Viveu por mais de 5 anos na Europa - a maior parte do tempo em Madrid, mas também em Londres, Paris e Lisboa. Neste período, estudou, foi correspondente da TV e Rádio Bandeirantes e comentarista do Canal+ espanhol, entre outras publicações europeias. Após a volta para a terrinha natal, foi editor-chefe de mídias digitais e comentarista da ESPN e também editor-chefe da BBC Brasil. Já cobriu cinco Copas do Mundo e, desde 2013, está de volta à primeira das casas.

24/05/2021 17h57

Luis Enrique anunciou nesta segunda-feira a lista de convocados da Espanha para a Eurocopa. A novidade? Nenhum jogador do Real Madrid. Algo inédito nas grandes competições (Copas e Euros).

Em outros tempos, poderíamos olhar para esta lista com algum tipo de interrogação política. É um técnico catalão? Basco? Há algum tipo de má vontade com o poderoso clube da capital?

Mas o debate não passa nem perto disso. Sergio Ramos estaria na lista e seria capitão da Espanha, inclusive, mas as condições físicas, que impediram o zagueiro de ajudar o Real na reta final da temporada, o impedem também de estar na Euro.

Fora Sergio Ramos, quem merecia ser convocado? Nacho? Asensio? Estaremos aqui debatendo sobre jogadores médios. Que nem titulares absolutos do próprio Real Madrid são. Carvajal está machucado, Lucas Vázquez também. E aqui tampouco estamos falando de grandes gênios da bola.

O Real Madrid não está fora da Eurocopa. Estarão lá Bale (que volta de empréstimo, mas já deve ir embora logo), Courtois (titular do gol da Bélgica, uma das candidatas a título), Hazard, Modric, Varane, Kroos, Benzema...

A espinha dorsal do time de Zidane estará no torneio. É claro que, em outros tempos, este número seria maior. Não é. Mas é a realidade do Real, não é mesmo? Um clube que não tem feito contratações e que aposta em uma base jovem, mas não necessariamente espanhola.

O Barcelona tem somente três convocados, dois deles veteraníssimos (Alba e Busquets) e um jovem que não foi criado pelo clube (Pedri). O Atlético de Madrid, campeão espanhol, tem na lista Koke e Llorente (formado no Real).

Há outros jovens espanhóis espalhados pela Europa, que não precisam mais vestir a camisa do Real Madrid ou do Barcelona para aparecer. A lista de Luis Enrique tem quatro jogadores do Manchester City, que é campeão inglês e pode ser campeão europeu no sábado que vem.

O futebol não é mais global somente nos times de cima, ele já extrapolou fronteiras no futebol de base. Clubes da Europa inteira podem ser berço para jogadores de qualquer nacionalidade, não só de jovens brasileiros e argentinos.

Em 2010, a Espanha tinha 12 jogadores de Real e Barça e somente 3 que atuavam fora do país. Na convocação de hoje, são 3 jogadores dos dois clubes e 14 que atuam fora de La Liga. A inversão está dada.

A Espanha não é, na minha visão, candidata a título na Euro. É uma seleção jovem, que pode fazer um bom campeonato, mas que tem mais projeção para 2022 e os anos que vêm pela frente. Ela não é mais fraca por não ter jogadores do Real Madrid ou do Barcelona. Ela é mais plural. É apenas a nova realidade.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL