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Julio Gomes

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Barcelona e Atlético de Madrid: o empate em que ambos saem derrotados

Luis Suárez e Lionel Messi em partida entre Barcelona e Atlético de Madri - NurPhoto via Getty Images
Luis Suárez e Lionel Messi em partida entre Barcelona e Atlético de Madri Imagem: NurPhoto via Getty Images
Julio Gomes

Julio Gomes é jornalista esportivo desde que nasceu. Mas ganha para isso desde 1998, quando começou a carreira no UOL, onde foi editor de Esporte e trabalhou até 2003. Viveu por mais de 5 anos na Europa - a maior parte do tempo em Madrid, mas também em Londres, Paris e Lisboa. Neste período, estudou, foi correspondente da TV e Rádio Bandeirantes e comentarista do Canal+ espanhol, entre outras publicações europeias. Após a volta para a terrinha natal, foi editor-chefe de mídias digitais e comentarista da ESPN e também editor-chefe da BBC Brasil. Já cobriu cinco Copas do Mundo e, desde 2013, está de volta à primeira das casas.

08/05/2021 13h09

O Atlético de Madrid mostrou vida, após tantos tropeços em 2021. Na "final" do campeonato, jogou como se fosse mesmo uma final. Dominou o Barcelona em pleno Camp Nou no primeiro tempo inteiro, criou chances de gol, foi corajoso e mereceu a vitória - apesar de, na etapa final, o Barça ter equilibrado o jogo e criado algumas boas chances.

Mas não venceu. E o 0 a 0 acabou sendo o resultado dos sonhos justamente para quem não estava em campo: o Real Madrid.

Explico. Na tabela, o Atlético chegou a 77 pontos, o Barça foi a 75 e o Real Madrid tem 74. Mas o time de Zidane ainda joga na rodada e, se vencer, assume a liderança - com os mesmos 77 pontos do Atlético, mas a vantagem no critério de desempate, que é o confronto direto. É verdade que o jogo do Real Madrid é o mais difícil possível. Neste domingo, enfrenta fora de casa o Sevilla, quarto colocado.

Mas o fato é que o Real passa a ser o único que depende só de si para ser campeão espanhol. Se vencer os quatro jogos restantes - e, depois de pegar o Sevilla, não tem mais nenhum bicho papão no caminho -, ficará com o título.

O Atlético foi o único time que compreendeu que o empate não seria uma boa. Ao contrário do que já vimos Simeone fazer tantas vezes, o time adotou uma postura ofensiva. Que se notava principalmente nas linhas de marcação altas, incomodando a saída de bola do Barcelona e não permitindo que ela chegasse limpa a Messi. Foi com esta pressão que o Atlético conseguiu criar as grandes chances do primeiro tempo, mesmo tempo a bola por metade do tempo em relação ao adversário.

No segundo tempo, o Barça melhorou com a entrada de Araujo no lugar de Mingueza. Uma simples troca de zagueiro melhorou a marcação e também a saída de bola, tirando o caminho das pedras que o Atlético mais usava.

Apesar de não ter feito seu jogo mais brilhante, Messi amarelou um punhado de jogadores do Atlético e forçou substituições por parte de Simeone. Na etapa final, o Barcelona ocupou mais o campo de ataque e teve um gol anulado.

Mas o fato é que nunca mostrou a faca nos dentes necessária para um time que quer ser campeão. Apesar de ter sido o melhor time no ano natural de 2021, o Barça vai ficar pelo caminho. O título espanhol ficou muito, muito difícil. Além de vencer seus jogos restantes e e de ter de torcer contra o Real Madrid, o Barcelona agora depende também de uma derrota do Atlético ou de dois empates nos três jogos finais.

O empate é menos pior para o Atlético, mas fica o mau sabor na boca após o grande jogo que o time fez no Camp Nou. O fato é que os dois saem derrotados de campo. E agora só resta secar o Real Madrid - que, nessas horas, não costuma falhar.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL