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Julio Gomes

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Liga dos Campeões: Neymar tem mais um encontro com a história

Julio Gomes

Julio Gomes é jornalista esportivo desde que nasceu. Mas ganha para isso desde 1998, quando começou a carreira no UOL, onde foi editor de Esporte e trabalhou até 2003. Viveu por mais de 5 anos na Europa - a maior parte do tempo em Madrid, mas também em Londres, Paris e Lisboa. Neste período, estudou, foi correspondente da TV e Rádio Bandeirantes e comentarista do Canal+ espanhol, entre outras publicações europeias. Após a volta para a terrinha natal, foi editor-chefe de mídias digitais e comentarista da ESPN e também editor-chefe da BBC Brasil. Já cobriu cinco Copas do Mundo e, desde 2013, está de volta à primeira das casas.

04/05/2021 05h48

Neymar não é um jogador comum. Não pode ser avaliado como os outros. É o jogador mais caro da história do futebol, parte de um projeto "de Estado" a partir do momento em que um país adquiriu um clube - na prática, é esta a relação Catar-PSG.

Hoje, ele tem mais uma vez um compromisso com a história. Não é um jogo normal, este entre Manchester City e Paris Saint-Germain. É uma semifinal de Liga dos Campeões e é também o duelo entre o Catar e Abu Dhabi, um dos Emirados Árabes, que também comprou um clube.

Neymar diz que não quer mais saber de Bola de Ouro. Pode ser que a ficha tenha caído para ele, pode ser que seja só discurso. O fato é que a popularidade despencou depois da Copa de 2018 e é só no campo que são encontradas respostas para essas coisas. Não é no Instagram nem no Tik Tok.

Sem popularidade, não se ganha Bola de Ouro. Se o PSG conseguir o feito de eliminar o City em Manchester, após ter perdido a partida de ida por 2 a 1, e depois for campeão europeu pela primeira vez, é bem provável que Mbappé passe a ser o destacado favorito ao prêmio de melhor do mundo. Também porque ele ainda tem uma Euro a jogar com a fortíssima França e porque tem sido mais decisivo do que Neymar.

Ambos fizeram um jogo meia boca na semana passada. Nada demais, nada de menos. Mbappé tem bem menos peso nas costas, é um campeão do mundo e é mais jovem. Neymar não tem a mesma gordura para queimar. Não é hora de fazer jogo mais ou menos.

Por mais coletivo que seja o futebol - e é -, na hora H, os grandes caras precisam mostrar por que são grandes. Neymar já fez isso muitas vezes, não fez outras tantas.

Considero que o melhor jogador brasileiro da última década esteja, agora, no auge da forma. Sim, ele mostra sinais de amadurecimento em campo, que nos próximos anos serão contrapostos por uma inevitável queda física. Neste momento ele está bem fisicamente e bem de cabeça. Não há desculpas.

Do outro lado está um timaço de futebol, o melhor da temporada, treinado pelo melhor técnico - que também tem a faca nos dentes após completar uma década sem chegar à final da Champions League. Guardiola também tem algo a provar. Em uma semifinal europeia, está cheio de gente com muita coisa para provar.

Mas ninguém tem tantas contas pendentes como Neymar. A Terra gira, o relógio corre. Não serão mais tantos encontros com a história em sua carreira. Hoje, é um deles. Estará à altura?

Nesta quarta-feira, a partir das 18h, após a definição da final da Liga dos Campeões, apresentarei o Fim de Papo da Champions no UOL Esporte, com comentários de Mauro Cezar Pereira e Rafael Oliveira. Participe conosco!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL