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Julio Gomes

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

PSG supera Bayern em quase tudo, consegue o 'impensável' e vai à semifinal

Neymar durante PSG x Bayern, pela Liga dos Campeões - CHRISTIAN HARTMANN/REUTERS
Neymar durante PSG x Bayern, pela Liga dos Campeões Imagem: CHRISTIAN HARTMANN/REUTERS
Julio Gomes

Julio Gomes é jornalista esportivo desde que nasceu. Mas ganha para isso desde 1998, quando começou a carreira no UOL, onde foi editor de Esporte e trabalhou até 2003. Viveu por mais de 5 anos na Europa - a maior parte do tempo em Madrid, mas também em Londres, Paris e Lisboa. Neste período, estudou, foi correspondente da TV e Rádio Bandeirantes e comentarista do Canal+ espanhol, entre outras publicações europeias. Após a volta para a terrinha natal, foi editor-chefe de mídias digitais e comentarista da ESPN e também editor-chefe da BBC Brasil. Já cobriu cinco Copas do Mundo e, desde 2013, está de volta à primeira das casas.

13/04/2021 17h55

O Paris Saint-Germain superou o Bayern de Munique em todos os aspectos nesta terça-feira e conseguiu o que parecia "impensável": eliminar o campeão europeu e seguir adiante para as semifinais da Liga dos Campeões.

Só faltou o PSG superar o Bayern no placar. Perdeu por 1 a 0, em Paris. Mas avançou pelos gols marcados fora de casa (o placar agregado foi de 3 a 3). Faltou superar Neuer, o melhor em campo nesta terça. Mas o goleiraço alemão havia falhado na ida, ao levar um frango no primeiro gol de Mbappé, e o esforço para se redimir acabou em vão.

O PSG chega à terceira semifinal de sua história. Vai enfrentar ou o Manchester City, em busca de um novo "impossível", ou o Borussia Dortmund, de Haaland.

O Paris foi melhor taticamente, conseguindo as soluções para fechar os espaços do Bayern e ceder um número considerável de chances a menos do que cedeu na partida de Munique. Mas, essencialmente, o PSG foi melhor individualmente.

Foi um jogo incrível de praticamente todo o time, até mesmo dos laterais, reservas, que conseguiram segurar as pontas. Até porque os pontas, Coman e Sané, erraram tudo o que tentaram. O Bayern sentiu mais falta de Gnabry, substituído nos dois jogos pelo ineficiente Sané, do que de Lewandowski - afinal, Choupo-Moting fez um gol em cada jogo, não dá para reclamar muito.

No meio, Goretzka também fez falta. E, no fim das contas, a saída de Thiago para o Liverpool foi ruim para todo mundo - para o Bayern, para Thiago e, se bobear, até para o Liverpool.

O português Danilo, jogando improvisado na zaga no lugar de Marquinhos, foi um paredão para o PSG. Paredes foi perfeito nos desarmes e muito importante no desafogo, na saída de bola e conexão com os homens de frente. E Di María e Neymar foram um show à parte. Di María é aquela coisa, uma no cravo outra na ferradura. Hoje, fez uma partidaça. Não perdeu bolas, recebeu faltas, segurou, driblou e armou um monte de contra ataques.

Neymar, da mesma forma, foi brilhante para fazer o jogo de transição do Paris funcionar. A única coisa que afastou Neymar dos gols foi a trave. Na primeira, ele pedalou e chutou bem, Neuer ainda tocou nela antes da trave. Na segunda, ele dá um tapa maravilhoso, tira do goleiro, mas ela toca caprichosamente no travessão. A terceira dá para chamar de gol perdido. Recebeu passe de Mbappé frente a frente com Neuer e chutou na trave.

Mbappé hoje foi mais arco do que flecha. Nas duas bolas que teve limpas, em uma o impedimento foi mal marcado, em outra ele chegou a fazer o gol, mas aí o impedimento, de fato, existiu.

Nos minutos finais, o Bayern se instalou dentro da área, a bola cruzou para lá e para cá, mas foi simplesmente um mau jogo do time alemão tecnicamente. Sem qualquer inspiração. O abafa foi apenas isso, um abafa.

Pior em Munique, o Paris saiu da Alemanha com a vitória graças ao brilho de Mbappé. Melhor em Paris, o PSG perdeu. Mas levou. De azarão a favorito, já que o número um da lista foi embora para casa.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL