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Julio Gomes

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Messi para de fazer gols, e Barça amarga jejum de 2 anos sem vencer o Real

Lionel Messi lamenta durante clássico entre Barcelona e Real Madrid, válido pelo Campeonato Espanhol - Sergio Perez/Reuters
Lionel Messi lamenta durante clássico entre Barcelona e Real Madrid, válido pelo Campeonato Espanhol Imagem: Sergio Perez/Reuters
Julio Gomes

Julio Gomes é jornalista esportivo desde que nasceu. Mas ganha para isso desde 1998, quando começou a carreira no UOL, onde foi editor de Esporte e trabalhou até 2003. Viveu por mais de 5 anos na Europa - a maior parte do tempo em Madrid, mas também em Londres, Paris e Lisboa. Neste período, estudou, foi correspondente da TV e Rádio Bandeirantes e comentarista do Canal+ espanhol, entre outras publicações europeias. Após a volta para a terrinha natal, foi editor-chefe de mídias digitais e comentarista da ESPN e também editor-chefe da BBC Brasil. Já cobriu cinco Copas do Mundo e, desde 2013, está de volta à primeira das casas.

11/04/2021 04h00

Lionel Messi parou. Pelo menos contra o Real Madrid, parou. E, se Messi para, o Barcelona também para. Já são sete superclássicos consecutivos sem que o argentino balance as redes. O Barça ganhou dois deles, nenhum dos últimos quatro, perdeu os últimos três, incluindo o de sábado (2 a 1 para o Real).

A última vitória do Barcelona em um clássico foi em março de 2019, 1 a 0 no Bernabéu, gol de Rakitic. Lá se vão mais de dois anos, portanto. E eles não se enfrentarão mais até a temporada que vem, que deve começar em setembro.

Para encontrar outro jejum deste tamanho, precisamos voltar ao início da "era Messi", que também marcava o fim da "era Ronaldinho". Eram os anos de transição. Depois do bi espanhol e de vencer a Champions após tantos anos, o Barça de Rijkaard e Ronaldinho começou a claudicar a partir da temporada 06/07 e foi um fiasco em 07/08.

No meio de 2008, o então presidente Joan Laporta, que agora voltou a ser eleito para o cargo, decidiu apostar em um jovem técnico, Pep Guardiola.

O primeiro clássico de Messi foi em novembro de 2005, vitória do Barça por 3 a 0, aquele que ficou marcado pelos aplausos do Bernabéu a Ronaldinho. Depois deste jogo, foram três vitórias do Real e dois empates. O Barcelona só voltou a vencer em dezembro de 2008, três anos depois, no primeiro clássico sob comando de Guardiola (2 a 0, gols de Eto'o e Messi já na reta final).

Para se ter uma ideia, a maior série de jogos sem vitória do Barcelona contra o Real Madrid foi de oito - o jejum ocorreu entre março de 2001 e dezembro de 2003. Portanto, o jejum atual, que supera dois anos, já é semelhante se a base de comparação for o tempo, não a quantidade de jogos.

Messi já marcou 26 gols no Real Madrid - número que é o maior da história da rivalidade. Desde que ele estreou com a camisa do Barcelona, o clube passou a dominar os clássicos e as competições domésticas, o que nunca tinha acontecido em um período tão grande da história (15 anos).

Desde o primeiro clássico do argentino, o Barça ganhou mais títulos espanhóis (9 a 5), Copas do Rei (6 a 2) e Supercopas (7 a 3). Ganhou 15 dos 31 clássicos disputados pelo Campeonato Espanhol - mas esta proporção já foi outra, está diminuindo.

Na "era Messi", o Barça ganhou duas vezes do Real Madrid em quatro Ligas (08/09, 09/10, 13/14 e 18/19). O Real conseguiu só agora fazer o mesmo - não o fazia desde 07/08.

Também durante a "era Messi", o Real teve por duas vezes uma série de sete clássicos sem vitórias, o que nunca havia acontecido antes.

Todos esses dados servem para mostrar apenas uma coisa: desde que surgiu Messi, o Real Madrid virou freguês do Barcelona, jogando em casa ou fora. Desde que Messi surgiu, não há debate sobre qual o clube mais vencedor do país. Mas isso está claramente mudando. Ele nunca havia ficado sete jogos seguidos sem fazer um golzinho sequer no Real Madrid. O Real está recuperando o terreno perdido, enquanto Messi perde ritmo.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL