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Julio Gomes

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Derrota do Bayern para o PSG mostra como o futebol supera a lógica

Kylian Mbappe e Neymar comemoram o gol do francês contra o Bayern de Munique - Alexander Hassenstein/Getty Images
Kylian Mbappe e Neymar comemoram o gol do francês contra o Bayern de Munique Imagem: Alexander Hassenstein/Getty Images
Julio Gomes

Julio Gomes é jornalista esportivo desde que nasceu. Mas ganha para isso desde 1998, quando começou a carreira no UOL, onde foi editor de Esporte e trabalhou até 2003. Viveu por mais de 5 anos na Europa - a maior parte do tempo em Madrid, mas também em Londres, Paris e Lisboa. Neste período, estudou, foi correspondente da TV e Rádio Bandeirantes e comentarista do Canal+ espanhol, entre outras publicações europeias. Após a volta para a terrinha natal, foi editor-chefe de mídias digitais e comentarista da ESPN e também editor-chefe da BBC Brasil. Já cobriu cinco Copas do Mundo e, desde 2013, está de volta à primeira das casas.

07/04/2021 19h14

Por que amamos tanto o futebol? Creio que muitas respostas pingariam para esta pergunta. Mas há uma que seria recorrente. Porque tudo pode acontecer. Ele é imprevisível. Ele é ilógico, às vezes.

Um técnico me disse um dia que a melhor maneira para analisar um jogo de futebol seria assisti-lo sem os lances de gols. De fato, se revíssemos o Bayern de Munique x Paris Satin-Germain de hoje, mas sem os lances de gol, qual você diria que foi o resultado final do jogo?

Possivelmente, uma goleada do Bayern. No mínimo, uma vitória.

Mas o resultado final foi outro: 3 a 2 para o Paris. Assim, o PSG joga por um empate ou mesmo derrotas por 1 a 0 ou 2 a 1 para se classificar para as semifinais da Liga dos Campeões da Europa, vingando-se da derrota para o Bayern na final do ano passado.

Era óbvio que o Bayern teria a posse de bola e "mandaria" na partida, contra um PSG apostando na velocidade, nos contra ataques e nos espaços deixados pelo time alemão. Vimos o Bayern vulnerável defensivamente ao longo de toda a temporada e este seria o caminho.

Acho que não era tão óbvio que o Bayern mandaria tanto quanto mandou, impedindo o PSG de trocar três ou quatro passes. Mas tampouco era óbvio que Neuer levaria o frango que levou logo aos 3min, após chute fraco de Mbappé. Se Neuer falhou de um lado, Navas (de novo) brilhou do outro, fazendo uma defesa atrás da outra.

O segundo gol do Paris saiu de um escanteio, bola afastada e passe de Neymar para a área. Marquinhos entrou em posição legal para marcar. Logo depois, no entanto, o brasileiro saiu de campo, machucado. Não à toa, foi pelo alto, com dois de cabeça, que o Bayern buscou o empate.

Mas aí parece que o Bayern relaxou, depois de tanto esforço. Abriu mais espaços. Levou o terceiro gol, de Mbappé, e correu riscos de levar outros. Também passou perto de empatar - foram mais de 30 finalizações, afinal.

Um erro, um acerto, uma bola que bate na trave e sai, outra que entra, uma lesão, uma substituição. Os técnicos buscam a lógica o tempo todo. Nós, analistas, também. Mas o futebol nos supera. Ele é assim, ilógico. E é por isso que o amamos tanto.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL