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Julio Gomes

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

De sufoco em sufoco, Barcelona ganha a chance de salvar a temporada

Barcelona e Sevilla se enfrentam pela Copa do Rei - David S. Bustamante/Soccrates/Getty Images
Barcelona e Sevilla se enfrentam pela Copa do Rei Imagem: David S. Bustamante/Soccrates/Getty Images
Julio Gomes

Julio Gomes é jornalista esportivo desde que nasceu. Mas ganha para isso desde 1998, quando começou a carreira no UOL, onde foi editor de Esporte e trabalhou até 2003. Viveu por mais de 5 anos na Europa - a maior parte do tempo em Madrid, mas também em Londres, Paris e Lisboa. Neste período, estudou, foi correspondente da TV e Rádio Bandeirantes e comentarista do Canal+ espanhol, entre outras publicações europeias. Após a volta para a terrinha natal, foi editor-chefe de mídias digitais e comentarista da ESPN e também editor-chefe da BBC Brasil. Já cobriu cinco Copas do Mundo e, desde 2013, está de volta à primeira das casas.

03/03/2021 19h32

A temporada do Barcelona não é das melhores, longe disso. Desde o início, ficou para trás no Campeonato Espanhol. Na Liga dos Campeões, fez feio na primeira fase ao levar 3 a 0 da Juventus, em casa, e ficar em segundo lugar no grupo. Nas oitavas, levou 4 a 1 do PSG e está virtualmente eliminado.

Em anos assim, sobra a Copa do Rei. Aquele torneio que não é prioridade para os grandões, mas às vezes torna-se a tábua de salvação. Com a derrota por 2 a 0 para o Sevilla na partida de ida das semifinais, até a Copa parecia impossível para o Barça. Ou seja, uma temporada trágica no que pode ser a "última dança" de Messi.

A vitória desta quarta-feira sobre o Sevilla, 3 a 0, no Camp Nou, e a consequente classificação dão ao Barça a chance de respirar. Pelo menos tem uma final para jogar (contra Athletic Bilbao ou Levante, que decidem a outra vaga nesta quinta). A última dança de Messi pode acabar com um troféu. De repente, o ânimo pode até empurrar para a renovação e mais danças.

O Barça já havia vencido o Sevilla no fim de semana pelo Espanhol, o que deu esperanças para a semifinal. Jogou bem hoje, nem parecia o Barcelona apático da maior parte da temporada. Fez 1 a 0 logo no começo e empurrou o Sevilla para trás ao longo de toda a partida.

No segundo tempo, no entanto, o time de Lopetegui, atual campeão da Europa League e ainda vivo na Champions, teve a grande chance de definir a vaga para a final. Aos 28min do segundo tempo, Ocampos perdeu o pênalti que praticamente garantiria o Sevilla - Ter Stegen defendeu.

O Barça partiu para o abafa final e, aos 48min, no último lance da partida, chegou ao 2 a 0 que provocou a prorrogação. Logo antes, o brasileiro Fernando havia sido expulso, deixando o Sevilla com dez em campo. O lance do gol teve uma falha dupla do zagueiro brasileiro Diego Carlos, que, dizem, despertou o interesse de vários grandes - incluído o Barça.

Primeiro, ele salvou uma bola que sairia em escanteio para o Barça - e não pode ser criticado por isso. O problema é que a bola caiu nos pés de Griezmann. Na jogada, o francês deu um corte após Diego Carlos, atrasado, saltar no vazio para evitar um cruzamento que Griezmann não faria de pé direito. O atacante cortou para o pé bom (o esquerdo) e ficou livre para cruzar na cabeça de Piqué, que finalizou com perfeição.

Com a empolgação do resultado e um homem a mais, era lógico que o Barcelona chegasse à vitória na prorrogação. E assim foi, com o gol da classificação marcado pelo contestado Braithwaite.

O Barça chega à final da Copa do Rei após passar de três das quatro eliminatórias na prorrogação - contra Cornellá, Granada e Sevilla. Contra o Granada, fez dois gols nos instantes finais para chegar à prorrogação. Contra o Sevilla, um. Contra o Rayo Vallecano, nas oitavas, virou a partida com um gol a 10min do fim.

De sufoco em sufoco, o Barcelona está na decisão. Em uma temporada como essa, um título seria um lucro dos grandes.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL