PUBLICIDADE
Topo

Julio Gomes

Devemos confiar na racionalidade do Grêmio ou na fanfarronice de Renato?

Renato Gaúcho, técnico do Grêmio - GettyImages
Renato Gaúcho, técnico do Grêmio Imagem: GettyImages
Julio Gomes

Julio Gomes é jornalista esportivo desde que nasceu. Mas ganha para isso desde 1998, quando começou a carreira no UOL, onde foi editor de Esporte e trabalhou até 2003. Viveu por mais de 5 anos na Europa - a maior parte do tempo em Madrid, mas também em Londres, Paris e Lisboa. Neste período, estudou, foi correspondente da TV e Rádio Bandeirantes e comentarista do Canal+ espanhol, entre outras publicações europeias. Após a volta para a terrinha natal, foi editor-chefe de mídias digitais e comentarista da ESPN e também editor-chefe da BBC Brasil. Já cobriu cinco Copas do Mundo e, desde 2013, está de volta à primeira das casas.

28/01/2021 12h31

Um amigo meu alertou no domingo, logo após o Gre-Nal, antes mesmo da patética coletiva de Renato Gaúcho: "pode anotar, o Grêmio vai entregar contra o Flamengo, para não ajudar o Inter". Eu rechacei na hora.

Eu não subestimo rivalidades, ainda mais a gaúcha. Já vimos várias entregadas em rodadas finais do Brasileiro, já vimos até a CBF marcar clássicos regionais por causa disso (o que, aliás, depõe muito contra nós, todos nós, como sociedade). Sabemos que, no futebol, a "entrega" não se dá fazendo gol contra ou jogando para perder. Jogador de futebol não consegue fazer isso. Quando entra em campo, quer ganhar. A entrega se dá na hora de escalar o time, com a preparação durante a semana feita de forma indevida, cobranças que desaparecem, enfim, é criado um "ambiente de derrota". E aí vem a derrota, a entregada.

Mas eu rechacei o que disse meu amigo porque sou um ser racional. Não é a última rodada do campeonato. O Grêmio não será campeão, mas precisa ficar entre os quatro primeiros para se garantir na Libertadores, que é um torneio amado pelo clube e seus torcedores. Está em jogo a história de um clube enorme, que não pode ficar se rebaixando desta maneira. E não há garantia alguma de vitória na final da Copa do Brasil, então o Brasileiro não pode ser deixado de lado. Aliás, há também premiação maior ou menor em função da classificação final na tabela.

O Flamengo é um adversário direto nisso tudo. Seria, no mínimo, uma estupidez gigantesca o Grêmio entregar o jogo de hoje à noite. Só para, TALVEZ, atrapalhar o Inter (nem é o Flamengo o concorrente mais próximo do Colorado na tabela).

Só que minutos depois do diálogo veio aquela ridícula coletiva de Renato, falando em abandonar o Brasileiro e usar o time de "transição" no resto do campeonato. Oras, como duvidar que o Grêmio não se esforçaria contra o Flamengo se o próprio técnico estava falando em mandar um time juvenil a campo?

Renato foi irresponsável no domingo. Colocou em dúvida a idoneidade de um monte de profissionais, do campeonato e ainda tirou os méritos de seu grande rival pela vitória em campo - aliás, sobre os lances polêmicos de domingo, concordo que o pênalti em Ferreirinha pudesse ser marcado (lance interpretativo) e discordo de haver qualquer polêmica no pênalti para o Inter, é um lance de clara irregularidade. Ou seja, nada que merecesse aquele Carnaval todo.

Mas Renato é um fanfarrão. Sempre foi. É muito bom técnico de futebol, mas infelizmente é o símbolo da malandragem brasileira. Sempre querendo se dar bem e sempre querendo encontrar outros culpados para justificar os próprios fracassos. Se o Grêmio não ganhou o Brasileiro em 17 ou 18, quando jogava muita bola, é porque Renato escolheu as Copas. E se o Grêmio não vai ganhar ou disputar até o fim o atual é porque empatou 15 vezes.

Usando os termos chulos que o técnico gosta de usar, o Grêmio neste campeonato nem levou a mulher para jantar e nem saiu da boate para o motel. O Grêmio do Brasileiro foi apenas um "empata f...". Talvez Renato esteja perdendo a lábia.

Hoje à noite, contra o Flamengo, possivelmente, o Grêmio irá com força máxima. Mas temos de prestar muita atenção na atitude em campo e ver se o time estava ou não preparado para este jogo, que é enorme. Aí saberemos se falaram mais alto a história e a racionalidade dentro do clube, que precisa do resultado, ou se Renato transformou de vez o Grêmio em seu parque de diversões.