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Julio Gomes

Derretimento emocional do São Paulo é o maior de todos

Fernando Diniz comanda o São Paulo em jogo contra o Internacional pelo Brasileirão - Marcello Zambrana/AGIF
Fernando Diniz comanda o São Paulo em jogo contra o Internacional pelo Brasileirão Imagem: Marcello Zambrana/AGIF
Julio Gomes

Julio Gomes é jornalista esportivo desde que nasceu. Mas ganha para isso desde 1998, quando começou a carreira no UOL, onde foi editor de Esporte e trabalhou até 2003. Viveu por mais de 5 anos na Europa - a maior parte do tempo em Madrid, mas também em Londres, Paris e Lisboa. Neste período, estudou, foi correspondente da TV e Rádio Bandeirantes e comentarista do Canal+ espanhol, entre outras publicações europeias. Após a volta para a terrinha natal, foi editor-chefe de mídias digitais e comentarista da ESPN e também editor-chefe da BBC Brasil. Já cobriu cinco Copas do Mundo e, desde 2013, está de volta à primeira das casas.

20/01/2021 23h22

O São Paulo derreteu em 2021. Como explicar? Creio que precisaremos de tempo e apuração para entender. É claro que os dedos serão apontados para Fernando Diniz (como se outro técnico tivesse levado o time à liderança do campeonato).

E acho que dedos podem e devem ser apontados para ele, sim. Mas muito raramente as coisas acontecem por causa de só um fator. Geralmente, são vários. Como a eleição e algumas mudanças internas que vieram depois dela afetaram o São Paulo? Na parte tática, qual o tamanho da falta de Luciano no início desta série lamentável? Será que o time subiu no salto?

Enfim, precisaremos de tempo para entender. Agora, entre todos os aspectos, o emocional me parece ser o principal. O esfarelamento está em todos os níveis, mas o derretimento emocional do São Paulo é muito nítido. É um time que teve a confiança destroçada, amassada, pisoteada.

Contra o Inter, o time perdia por 2 a 1 e voltou bem para o segundo tempo. Levou o terceiro gol em uma falha de Vítor Bueno. Pronto, desabou. Tomou quatro, cinco e não tomou mais somente porque o Inter tirou o pé.

As eliminações ao longo de 2020 já mostravam um time de emocional frágil. Mas em todos os momentos houve a recuperação anímica depois de alguma chacoalhada técnica ou tática. Desta vez, não houve chacoalhada. Não houve recuperação. E, possivelmente, não haverá.

Impossível não lembrar do evento Diniz-Tchê Tchê na lateral do campo. O quanto aquilo afetou o elenco ou as relações internamente? Será que Diniz perdeu o time naquele momento? Eles, lá dentro, sabem. Nós, aqui fora, só podemos desconfiar.