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Julio Gomes

Com calendário louco, Europeus ficam nivelados e 'viram' Brasileirão

Ibrahimovic marcou os dois gols do Milan contra o Cagliari - ALBERTO PIZZOLI/AFP
Ibrahimovic marcou os dois gols do Milan contra o Cagliari Imagem: ALBERTO PIZZOLI/AFP
Julio Gomes

Julio Gomes é jornalista esportivo desde que nasceu. Mas ganha para isso desde 1998, quando começou a carreira no UOL, onde foi editor de Esporte e trabalhou até 2003. Viveu por mais de 5 anos na Europa - a maior parte do tempo em Madrid, mas também em Londres, Paris e Lisboa. Neste período, estudou, foi correspondente da TV e Rádio Bandeirantes e comentarista do Canal+ espanhol, entre outras publicações europeias. Após a volta para a terrinha natal, foi editor-chefe de mídias digitais e comentarista da ESPN e também editor-chefe da BBC Brasil. Já cobriu cinco Copas do Mundo e, desde 2013, está de volta à primeira das casas.

20/01/2021 04h00

Na Premier League, o líder é o Leicester e só cinco pontos separam os cinco primeiros. Na Espanha, o Atlético de Madrid é o primeiro. Na Itália, o Milan. Na França, o turno já virou e o PSG segue com a companhia do Lille na ponta - o Lyon perdeu a liderança no fim de semana. Em Portugal, o primeiro é o Sporting.

Surpreendente, não? Sim, sem dúvida. Só na Alemanha o líder é o mesmo de sempre, o Bayern de Munique. Mas um Bayern que já foi eliminado da Copa da Alemanha e que tropeçou em um terço dos jogos da Bundesliga - ou seja, não é o massacre de sempre. Grande domínios da década, como da Juventus e do Paris, estão ameaçados. A dupla Real Madrid-Barcelona vai ter de correr atrás em La Liga.

O que faz a temporada europeia ser tão "maluca"? Quase nada nesse mundo tem somente uma explicação. Mas, se tivermos de escolher só um fator, temos de olhar para o calendário.

Devido à pandemia, tudo ficou apertado. São jogos em todos os meios de semana, pouco tempo para descanso e treinos. Guardiola e Klopp, entre outros, reclamam semanalmente - não estão nem um pouco habituados a essa insanidade.

Em teoria, quanto mais lesões e substituições permitidas, melhor para os clubes maiores e mais ricos, certo? Não é o que estamos vendo na prática. Talvez os clubes com melhores jogadores tenham tal nível de excelência que os treinos, preparação para jogos e recuperação de jogadores façam muita diferença.

Ou seja, com todo mundo nas melhores condições, a maior qualidade sobressai. E isso acaba sendo mais importante do que quantidade, do que ter mais material humano. Uma vez que tudo fica confuso e comprometido pelo calendário sufocante, o jogo é nivelado por baixo e mais resultados inesperados ocorrem.

O que estamos vendo acontecer na Europa é familiar para nós, não é mesmo? Claro que é. Estamos habituados a um Campeonato Brasileiro super equilibrado e de difícil previsão, anos após ano. E qual o fator comum no nosso futebol, ano após ano? O calendário, oras.

Não é só o calendário que é ruim. Saem jogadores, técnicos são demitidos, viagens são longas. Todos são fatores de nivelamento (por baixo) e equilíbrio. Mas, pelo que vemos na Europa, parece que o calendário apertado é um fator realmente pesado desta equação. Porque as outras coisas citadas na frase anterior não estão ocorrendo no futebol europeu.

Nós gostamos do equilíbrio. Seja aqui, seja na Europa. Campeonatos facilmente dominados por um time deixam de despertar interesse. Mas também gostamos de qualidade. Apertar o calendário gera um efeito desejado, mas compromete o outro - e faz muito mal à saúde dos atletas. Há outras formas de buscar equilíbrio entre clubes, especialmente as que afetam a distribuição de recursos - e aí entra a resistência dos clubes grandes, aqui e lá fora.