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Julio Gomes

'Caso Alison' é um aviso. Palmeiras e Santos deveriam se fechar em bolhas

Alison em treino do Santos - Ivan Storti
Alison em treino do Santos Imagem: Ivan Storti
Julio Gomes

Julio Gomes é jornalista esportivo desde que nasceu. Mas ganha para isso desde 1998, quando começou a carreira no UOL, onde foi editor de Esporte e trabalhou até 2003. Viveu por mais de 5 anos na Europa - a maior parte do tempo em Madrid, mas também em Londres, Paris e Lisboa. Neste período, estudou, foi correspondente da TV e Rádio Bandeirantes e comentarista do Canal+ espanhol, entre outras publicações europeias. Após a volta para a terrinha natal, foi editor-chefe de mídias digitais e comentarista da ESPN e também editor-chefe da BBC Brasil. Já cobriu cinco Copas do Mundo e, desde 2013, está de volta à primeira das casas.

18/01/2021 14h35

A notícia da segunda-feira pelos lados do Santos é o positivo de Alison para covid-19. Um jogador importante do time, que já havia testado positivo em novembro e que agora ficará em quarentena até a final da Libertadores, no próximo dia 30.

Será que Palmeiras e Santos não deveriam abrir mão do Brasileiro e criar bolhas próprias para o período até a grande decisão?

Vejam, nada é mais importante do que uma final de Libertadores. Todos batalham tanto para chegar ao torneio, depois para avançar nele, sabemos como é raro chegar em uma decisão. Por que arriscar perder jogadores antes deste evento histórico?

É verdade que muitos jogadores e funcionários de Palmeiras e Santos já testaram positivo. Mas Alison está aí para provar que isso pode acontecer de novo. Seja por reinfecção ou outro motivo - são tão poucos os casos de reinfecção comprovados no mundo que eu acredito que a explicação passe por falsos positivos, testes meia boca ou protocolos mal feitos. Os protocolos e métodos dos clubes de futebol do Brasil são pouco transparentes (como os do país como um todo).

Se os clubes criassem bolhas, como tantas que já foram feitas (Champions League em Lisboa, NBA em Orlando, tênis), iriam minimizar muito a chance de qualquer atleta ser contaminado. Ou, o que seria pior, trágico até, tanto no aspecto pessoal quanto esportivo, o risco de um surto.

Dentro de uma bolha, Palmeiras e Santos nem precisariam abrir mão de jogar as partidas do Brasileiro. Mas, se optassem por não tirar ninguém da bolha, seria totalmente aceitável mandar equipes juvenis.

Depois do dérbi desta noite, o Palmeiras enfrenta o Flamengo em Brasília, na quinta, Ceará (também fora) no fim de semana e Vasco, em São Paulo, na semana que vem. Já não teria muito cabimento escalar titulares (e arriscar lesões) contra Ceará e Vasco. Os jogos contra Corinthians e Flamengo têm sentido pela rivalidade e pelo campeonato.

Já o Santos, que tem menos comprometimento ainda com o Brasileirão, viaja a Fortaleza na quinta, depois recebe o Goiás e, na semana que vem, enfrenta o Atlético Mineiro. É até curioso que o Santos jogue com reservas contra o Galo, criando "justiça" e repetindo o que fez contra Flamengo e São Paulo.

A pergunta é: o que seria pior? Perder um ou dois jogos do Brasileirão ou perder 2, 3, 8, 12 jogadores antes da final da Libertadores? A resposta é bem fácil. O "caso Alison" é um aviso e tanto. Depois que não reclamem do vírus ou da sorte.