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Julio Gomes

Rodrigo Caio foi mal, mas Rogério Ceni foi pior na eliminação do Flamengo

Julio Gomes

Julio Gomes é jornalista esportivo desde que nasceu. Mas ganha para isso desde 1998, quando começou a carreira no UOL, onde foi editor de Esporte e trabalhou até 2003. Viveu por mais de 5 anos na Europa - a maior parte do tempo em Madrid, mas também em Londres, Paris e Lisboa. Neste período, estudou, foi correspondente da TV e Rádio Bandeirantes e comentarista do Canal+ espanhol, entre outras publicações europeias. Após a volta para a terrinha natal, foi editor-chefe de mídias digitais e comentarista da ESPN e também editor-chefe da BBC Brasil. Já cobriu cinco Copas do Mundo e, desde 2013, está de volta à primeira das casas.

01/12/2020 23h44

Um ano após o título épico em Lima, o Flamengo está fora da Copa Libertadores da América da maneira como estava acostumado nos anos anteriores: nas oitavas de final. Um ano atrás, o drama dos pênaltis contra o Emelec acabou com classificação flamenguista. Contra o Racing, não teve jeito.

Vão chover críticas (justas) a Rodrigo Caio. O bom zagueiro é isso, um bom zagueiro. E com ótimo QI futebolístico. Nunca poderia ser considerado o salvador da pátria. Entrou em campo após tanto tempo fora claramente sem ritmo, sem tempo de bola, tomou dois cartões amarelos absolutamente estúpidos e deixou o time na mão.

Mas, por pior que tenham ido Rodrigo Caio, Gustavo Henrique ou Vitinho, ninguém foi tão mal quanto Rogério Ceni. Ele pode até começar 2021 comemorando um título brasileiro. Mas vai acabar 2020 eliminado da Sul-Americana, da Libertadores e duas vezes da Copa do Brasil. É um técnico muito, muito, muito promissor. Mas é melhor ir com calma. Bem, já deveríamos ter aprendido a lição há mais tempo.

Eu não costumo apontar o dedo para treinadores e Rogério evidentemente tem pouquíssimo tempo de trabalho. Mas ele passa a ser um dos responsáveis diretos pela eliminação pela maneira como atuou no jogo de volta contra o Racing.

Rogério poderia ter feito diferente já desde antes do início do jogo. Léo Pereira é simplesmente melhor que Gustavo Henrique. E Bruno Henrique é melhor atacante do que Vitinho.

Bruno Henrique foi bem no primeiro tempo pela esquerda, incomodou a defesa do Racing. Mas Vitinho era peso morto pela zona central do ataque. Isso ficou ainda mais evidente quando a bola caiu nos pés dele, no minuto final da primeira etapa, frente a frente com o goleiro e finalizando para fora.

No segundo tempo, a tônica era a mesma. O Flamengo tinha a bola e pressionava, o goleiro fez uma boa defesa. Mas não seria Vitinho o herói do time. E o Racing cada vez mais encontrava formas de sair no contra ataque, ao contrário do que havia feito no primeiro tempo. A ameaça era concreta, principalmente nas costas de Isla.

Vieram, então, o vermelho para Rodrigo Caio e o gol logo na cobrança da falta. No lance, reparem, Gustavo Henrique tenta tirar a bola de calcanhar.

E vieram as trocas de Rogério.

Improvisou Arão na zaga com a entrada de João Gomes por Arrascaeta - não precisava ter feito recomposição alguma, já que o Racing não iria sair para o jogo. Logo depois, tirou Éverton Ribeiro para a entrada de Pedro. Oras, como chegar ao empate tirando os dois meias criativos, os jogadores mais "diferentes" do time?

A torcida do Flamengo já não morre de amores por Vitinho. Se Rogério Ceni adotá-lo como "filho", má notícia para o treinador.

Para completar a sucessão de erros, Gustavo Henrique, que não deveria ter jogado (e errou feio no gol), tampouco poderia ter saído quando o time obviamente passaria a jogar bolas na área. Deve ter sido um alívio para o Racing ver o jogador mais alto do Flamengo ser retirado de campo.

Se a ideia era aproveitar a capacidade de Diego nas bolas paradas, não é inteligente tirar o homem mais alto. Ainda deu certo com Arão, nos acréscimos. Ironicamente, o próprio Arão, que levou a disputa para os pênaltis, foi quem parou no goleiro Arias na quarta cobrança flamenguista.

Em poucas semanas, Ceni foi eliminado da Copa do Brasil e da Copa Libertadores. Torcedores e imprensa amam encontrar vilões. O técnico é um deles. Mas tem os zagueiros todos, tem o Arão, tem o DM, tem o Tite. Não faltam nomes. Só falta olhar melhor para quem toma as decisões mais ali em cima.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL