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Julio Gomes

São Paulo tem 10 dias cruciais para assumir o comando do Brasileirão

Fernando Diniz, técnico do São Paulo -
Fernando Diniz, técnico do São Paulo
Julio Gomes

Julio Gomes é jornalista esportivo desde que nasceu. Mas ganha para isso desde 1998, quando começou a carreira no UOL, onde foi editor de Esporte e trabalhou até 2003. Viveu por mais de 5 anos na Europa - a maior parte do tempo em Madrid, mas também em Londres, Paris e Lisboa. Neste período, estudou, foi correspondente da TV e Rádio Bandeirantes e comentarista do Canal+ espanhol, entre outras publicações europeias. Após a volta para a terrinha natal, foi editor-chefe de mídias digitais e comentarista da ESPN e também editor-chefe da BBC Brasil. Já cobriu cinco Copas do Mundo e, desde 2013, está de volta à primeira das casas.

30/11/2020 13h22

Daqui a 10 dias, teremos, finalmente, uma exata noção de como está o Campeonato Brasileiro. Por enquanto, ele esteve somente equilibrado (como sempre) e bagunçado (o que, convenhamos, tinha deixado de estar nestes anos de pontos corridos). É lógico que não passaríamos impunes em um ano pandêmico e tumultuado. Notícia seria se passássemos.

Depois dos jogos de meio de semana nesta e na próxima, além da rodada cheia do fim de semana, terão ficado somente dois jogos para trás. Palmeiras x Vasco, ainda da primeira rodada do campeonato, e Grêmio x Flamengo, adiado da 23ª rodada, no último fim de semana. Estes não têm data para acontecer, porque os quatro times envolvidos estão em outras competições e com calendário apertado - é possível que sejam jogados só lá no fim de janeiro ou fevereiro.

No cenário atual, chegou a hora de o São Paulo, líder por pontos perdidos, assumir a liderança também por pontos ganhos e abrir vantagem. Ou não. Ficar apenas no bolo da frente - o que seria péssima notícia para o time de Fernando Diniz. O São Paulo tem jogos contra Goiás (fora, quinta), Sport (Morumbi, domingo) e Botafogo (Morumbi, quarta que vem, dia 9). São três dos últimos cinco colocados da tabela.

Não são três jogos que "bons de ganhar". São três jogos absolutamente cruciais, precisam ser tratados como final de campeonato.

Goiás e Botafogo estão afundadíssimos na zona de rebaixamento e é bem improvável que não caiam para a Série B. O Goiás ganhou só um dos últimos 13 jogos, aquele duelo contra o Palmeiras dizimado pela Covid e com um jogador a menos. O Botafogo, que ainda pega o Flamengo no fim de semana, deve chegar ao Morumbi completando dois meses sem uma vitória sequer - depois da eliminação para o Cuiabá na Copa do Brasil, vieram (mais uma) troca de técnico e quatro derrotas seguidas. E o Sport, que está logo fora do Z4, vem de uma vitória, dois empates e sete derrotas (três consecutivas) nas últimas dez rodadas.

Esses números mostram que o São Paulo tem a obrigação total de vitória contra os três rivais. Não no sentido de desprezo aos adversários, mas obrigação para se posicionar pelo título. Se não ganhar os três jogos está fora, sem chances? Claro que não, mas fica mais difícil.

Porque a sequência até o fim do ano, depois destes três jogos, será assim: Corinthians (clássico em Itaquera), uma semana de treinos (finalmente), Atlético-MG (duelo direto) e os dois confrontos semifinais contra o Grêmio, com um jogo contra o Fluminense (no Rio) no meio deles. Convenhamos, uma série muito mais difícil e com margem de tropeços.

Se vence os três jogos, o São Paulo abre vantagem numérica na tabela e também psicológica, pois desestimula outros times que estão envolvidos em outros campeonatos. Se tropeçar em um ou mais destes jogos, o São Paulo deixa o campeonato embolado e deixa também viva a dúvida sobre sua capacidade de ganhar o título.

Cumprindo a obrigação de candidato e vencendo os três jogos que tem agora, o time de Diniz fechará a quarta-feira que vem com 50 pontos em 24 partidas. Como estarão os rivais diretos caso vençam tudo o que têm pela frente?

O Atlético-MG recebe o Inter no domingo e pode ir a 45 pontos em 24 jogos - mas é um jogo grande, pois é também a última chance de o Inter se levantar e ficar na briga (se vencer no Mineirão, vai a 40 pontos).

O Flamengo enfrenta o Racing na quarta e, sábado, faz o clássico contra o Botafogo. Depois disso, voltará a ter uma semana inteira de treinos e recuperação de jogadores, o que é fundamental para Rogério Ceni. Vencendo no Nilton Santos, o Flamengo ficaria com 42 pontos - ou seja, seriam 8 pontos a menos e um jogo a menos que o São Paulo (esse jogo adiado contra o Grêmio).

Se considerarmos que o Flamengo sempre foi e segue sendo o favorito ao título, vejam como é importante para o São Paulo abrir a gordura para o rival carioca. Até o fim do ano, o time de Ceni tem duelos em casa contra Santos e Bahia e fora contra o Fortaleza, com possíveis quartas de Libertadores no meio disso.

E não podemos nos esquecer de Palmeiras e Grêmio. O Palmeiras tem um clássico complicado contra o Santos domingo, na Vila. Já o Grêmio enfrenta Goiás (hoje) e Vasco (domingo), em casa. Se vencerem, ambos chegariam a 40 pontos e um jogo a menos que o São Paulo.

Vejam: mesmo que vençam, seriam 10 pontos a menos e o seguinte contexto: até o fim do ano, o Palmeiras e o Grêmio vão jogar ainda quartas de Libertadores e semi de Copa do Brasil. Já sabemos o que Renato fará. E dá para imaginar que Abel Ferreira siga o mesmo caminho.

O São Paulo nunca foi um time estável e confiável no campeonato. Nenhum foi. Em algum momento, alguém terá a chance de desgarrar, abrir vantagem e conquistar o título brasileiro. O normal era que o Flamengo tivesse feito isso. Mas quem tem a chance de fazê-lo é, surpreendentemente, o time que mais "apanhou" ao longo do ano, com críticas de todos os tipos, para todos os gostos.

Vitórias contra Goiás, Sport e Botafogo farão, finalmente, torcedor, clube, adversários e mídia acreditarem de verdade nas chances do São Paulo. Eles serão obrigados a fazê-lo.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL