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Julio Gomes

Flamengo vai ter que melhorar muito na defesa para ganhar títulos

Lance do duelo entre Racing e Flamengo, pela Libertadores - Conmebol
Lance do duelo entre Racing e Flamengo, pela Libertadores Imagem: Conmebol
Julio Gomes

Julio Gomes é jornalista esportivo desde que nasceu. Mas ganha para isso desde 1998, quando começou a carreira no UOL, onde foi editor de Esporte e trabalhou até 2003. Viveu por mais de 5 anos na Europa - a maior parte do tempo em Madrid, mas também em Londres, Paris e Lisboa. Neste período, estudou, foi correspondente da TV e Rádio Bandeirantes e comentarista do Canal+ espanhol, entre outras publicações europeias. Após a volta para a terrinha natal, foi editor-chefe de mídias digitais e comentarista da ESPN e também editor-chefe da BBC Brasil. Já cobriu cinco Copas do Mundo e, desde 2013, está de volta à primeira das casas.

24/11/2020 23h28

O quarteto mágico voltou a começar um jogo pelo Flamengo depois de 26 partidas e mais de três meses. Ótimo para o Flamengo! Na primeira bola em que avançou pela esquerda, Bruno Henrique já deu um gol a Gabigol. É o dé-jà vu da alegria. Mas o quarteto vai ter que meter muita bola para dentro para compensar a grande fraqueza do time no momento: o sistema defensivo.

Está ruim coletivamente e individualmente. Quando olhamos a escalação do Flamengo no empate contra o Racing, nesta terça, e na final da Libertadores, um ano atrás, vemos "somente" três mudanças: Rafinha, Rodrigo Caio e Pablo Marí não estão. Oras, é a linha defensiva quase inteira! A única exceção é Filipe Luís.

Com Jorge Jesus, o Flamengo encurtava o campo, fazia uma linha muito alta. E isso só dava certo porque ele tinha à disposição uma linha de quatro "europeus". Os laterais jogaram a vida toda fora, Marí é espanhol e Rodrigo Caio tem um QI futebolístico diferenciado. Ainda tinha Diego Alves, outro que jogou como líbero na maior parte da carreira, na Europa. A linha alta expunha o time? Sim. Mas também facilitava a vida dos volantes e sufocava o adversário - ninguém estava acostumado a jogar assim no Brasil. O Flamengo acabava correndo poucos riscos, ficava o tempo inteiro com a bola no ataque.

O Fortaleza de Rogério Ceni, por exemplo, recuperava praticamente todas as bolas no campo de defesa - jogava com a linha baixa, baixíssima.

Ceni não tem Rafinha, Caio ou Marí. Isla não é Rafinha. Renê, muito menos. Rodrigo Caio está machucado. E Léo Pereira, Thuler, Nathan ou Gustavo Henrique, escolham, não parecem ter condições de jogar com a linha tão alta. Podem aprender, mas não será rápido. Além do problema de sistema, esses caras estão simplesmente mal.

Com isso, ficam mais expostos Arão e Gérson - que vai muito mal, por exemplo, na jogada de gol do Racing. Gérson é muito mais um meia do que um volante. É um construtor, um jogador de corte ofensivo. Se sobrar para ele ficar limpando barras lá atrás, mau negócio para o Flamengo.

O time cedeu um caminhão de chances para o Racing e poderia ter saído com uma derrota importante da Argentina. Não saiu. Teve sorte de gols terem sido anulados e, outros, perdidos. Teve também ocasiões, principalmente no segundo tempo, após a entrada de Vitinho, antes da expulsão de Thuler.

O fato é que o Flamengo é muito mais vulnerável em 2020 do que era em 2019. O ataque vai ter que meter muito gol ali na frente, porque na defesa as coisas não estão legais. Rogério tem uma raríssima semana de folga até o jogo da volta para treinar. Não há dúvidas: na cabeça dele está a defesa. E também a defesa. E, é claro... a defesa.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL