PUBLICIDADE
Topo

Julio Gomes

Gibraltar pode ficar a dois empates da Copa do Mundo-2022. Entenda como!

05.junho.2020 Estádio da Cidade Educação, em Doha (Catar), é entregue para a Copa do Mundo de 2022 - Reprodução/Confederação Asiática de Futebol (AFC)
05.junho.2020 Estádio da Cidade Educação, em Doha (Catar), é entregue para a Copa do Mundo de 2022 Imagem: Reprodução/Confederação Asiática de Futebol (AFC)
Julio Gomes

Julio Gomes é jornalista esportivo desde que nasceu. Mas ganha para isso desde 1998, quando começou a carreira no UOL, onde foi editor de Esporte e trabalhou até 2003. Viveu por mais de 5 anos na Europa - a maior parte do tempo em Madrid, mas também em Londres, Paris e Lisboa. Neste período, estudou, foi correspondente da TV e Rádio Bandeirantes e comentarista do Canal+ espanhol, entre outras publicações europeias. Após a volta para a terrinha natal, foi editor-chefe de mídias digitais e comentarista da ESPN e também editor-chefe da BBC Brasil. Já cobriu cinco Copas do Mundo e, desde 2013, está de volta à primeira das casas.

20/11/2020 04h00

A Uefa criou uma intersecção entre torneios que pode acabar até na classificação de uma seleção fraquíssima para a Copa do Mundo de 2022, no Qatar. Que tal a minúscula seleção de Gibraltar, um mini território britânico encravado na Espanha, com 30 mil habitantes, jogando um Mundial? Ou então as Ilhas Faroe, o arquipélago gelado com 47 mil moradores e que pertence à Dinamarca?

É necessária uma incrível e absolutamente inesperada conjunção de resultados para que isso aconteça e, em março de 2022, alguma seleção de nenhuma expressão fique, por exemplo, a dois empates (e vitórias nos pênaltis) de uma Copa do Mundo.

Pensar que Gibraltar ou Ilhas Faroe estejam lá beira a surrealidade. Mas pode acontecer! E pode acontecer também com países como Montenegro, Albânia ou Armênia, que já são mais competitivos - ainda que igualmente sem tradição mundialista. Vamos tentar entender.

A Uefa cruzou a Liga das Nações com as eliminatórias para a Copa-2022 - estas começarão em março do ano que vem. Um sorteio no dia 7 de dezembro, na Suíça, vai definir os 10 grupos das eliminatórias (mais abaixo neste post, veja como estarão divididos os potes para o sorteio). Os campeões de cada grupo garantem presença no Catar. Os vice-campeões se classificam para uma repescagem. A esta repescagem, irão se juntar também os dois melhores campeões de grupos da Liga das Nações.

Seleções que tiverem acabado em primeiro ou segundo nos grupos das eliminatórias já irão para a Copa ou para a repescagem. Então o benefício de ter vencido um grupo na Liga das Nações serve para quem não ficar entre os dois primeiros. Será uma segunda chance de ir para a Copa, entrando já na repescagem. E a repescagem, lá em março 2022, será disputada em duas eliminatórias únicas. As 12 seleções jogam uma partida só, passam 6 adiante, novo duelo alguns dias depois e avançam 3 para a Copa do Mundo. Jogos únicos!

Os quatro campeões de grupo da "primeira divisão" da Liga das Nações ainda vão jogar pelo título do torneio, em outubro do ano que vem: Itália, França, Espanha e Bélgica. É difícil imaginar que alguma delas não fique em primeiro ou segundo em seus grupos nas eliminatórias, mas pode acontecer - nas eliminatórias para a Copa de 2018, por exemplo, a Holanda foi uma das seleções "grandes" que não entrou nem na repescagem.

O mais provável é que alguma das outras seleções campeãs de grupos das Ligas B, C e D é que precisem deste "atalho" para a repescagem. São elas, já na ordem de classificação na Liga das Nações: País de Gales, Áustria, República Tcheca, Hungria, Eslovênia, Montenegro, Albânia, Armênia, Gibraltar e Ilhas Faroe.

Como Gibraltar pode entrar na repescagem e ficar a dois empates da Copa? Seria necessário que sete das seleções que listei no parágrafo acima ficassem em primeiro ou segundo lugar nos grupos das eliminatórias europeias. É improvável? Sem dúvida. Altamente improvável, eu diria. Nas eliminatórias para a Copa de 2018, nenhuma destas 10 seleções acima conseguiu entrar no Mundial ou na repescagem.

O mais provável é que o benefício de ter vencido um grupo na Liga das Nações sirva para as seleções que encabeçam a lista acima entrarem na repescagem em busca de uma vaga na Copa (Gales, Áustria, Rep. Tcheca ou Hungria). Galeses e austríacos ainda estarão no pote 2 no sorteio de dezembro, então supostamente só terão uma seleção das mais fortes no mesmo grupo. Mas tchecos e húngaros estarão no pote 3, portanto em grupos com duas seleções mais bem ranqueadas. Eslovênia, Montenegro e Albânia, que vêm a seguir na lista, estarão no pote 4. Entrar na repescagem via "atalho" é quase a única esperança para elas de tentar uma vaga no Mundial.

Os potes no sorteio que definirá os grupos das eliminatórias europeias estarão assim:

POTE 1 (cabeças de chave): Holanda, Itália, Inglaterra, Bélgica, Dinamarca, Portugal, França, Croácia, Espanha e Alemanha;

POTE 2: Polônia, Suécia, Suíça, Ucrânia, Áustria, Romênia, Eslováquia, Sérvia, Turquia e País de Gales;

POTE 3: Rússia, Hungria, Irlanda, República Tcheca, Noruega, Irlanda do Norte, Escócia, Islândia, Grécia e Finlândia;

POTE 4: Bósnia e Herzegovina, Eslovênia, Montenegro, Macedônia do Norte, Albânia, Bulgária, Israel, Belarus, Geórgia e Luxemburgo;

POTE 5: Armênia, Chipre, Ilhas Faroe, Azerbaijão, Estônia, Cazaquistão, Kosovo, Lituânia, Letônia e Andorra;

POTE 6: Malta, Moldova, Liechtenstein, Gibraltar e San Marino;

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL