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Julio Gomes

Duas soluções nacionais que poderiam funcionar para o Palmeiras

Maurício Galiotti, presidente do Palmeiras - Transmissão Youtube
Maurício Galiotti, presidente do Palmeiras Imagem: Transmissão Youtube
Julio Gomes

Julio Gomes é jornalista esportivo desde que nasceu. Mas ganha para isso desde 1998, quando começou a carreira no UOL, onde foi editor de Esporte e trabalhou até 2003. Viveu por mais de 5 anos na Europa - a maior parte do tempo em Madrid, mas também em Londres, Paris e Lisboa. Neste período, estudou, foi correspondente da TV e Rádio Bandeirantes e comentarista do Canal+ espanhol, entre outras publicações europeias. Após a volta para a terrinha natal, foi editor-chefe de mídias digitais e comentarista da ESPN e também editor-chefe da BBC Brasil. Já cobriu cinco Copas do Mundo e, desde 2013, está de volta à primeira das casas.

21/10/2020 10h00

O Palmeiras levou um "não" de Miguel Ángel Ramírez, o espanhol que treina o Independiente del Valle, do Equador. O blog já havia adiantado que isso poderia acontecer. É o resultado de décadas e décadas de má administração e desrespeito aos treinadores por partes da cartolagem brasileira. A credibilidade foi para o ralo e literalmente ninguém mais no mundo acredita em uma só palavra do que eles falam.

O Palmeiras irá insistir com um técnico estrangeiro? É capaz que sim. Afinal, os três primeiros colocados do Brasileirão são estrangeiros e esta é a nova moda. Os dirigentes do Palmeiras, como tantos outros, costumam jogar para a torcida, então é capaz que o plano seja mantido.

Devem estar quebrando a cabeça! Pois se a ideia era ir buscar um treinador que prioriza o jogo posicional (será que eles sabem o que é isso?), como Ramírez, não vai ser fácil encontrar outro. Que tal Quique Setién? (será que eles sabem quem é?).

Se o Palmeiras está convicto sobre esse tipo de jogo, por que não esperar Ramírez e ir preparando o terreno para a "revolução"? Não há mesmo tempo? Ou não há convicção?

Enfim. Eu, como você, leitor, leitora, acho uma grande cascata essa história contada mais uma vez pela cartolagem, de terem definido uma filosofia de jogo e estarem indo atrás de um técnico capaz de implementá-la. Eles não são tão sábios assim. Porém, eu acredito na honesta tentativa de buscar um técnico que goste do jogo ofensivo, sendo um pouco mais simplista.

E aí me vêm dois nomes à cabeça que seriam bons o suficiente para implementar o que o Palmeiras quer, sem ter que ir buscar lá fora: Renato Gaúcho e Tiago Nunes.

Isso mesmo! Leram certo.

Renato está há quatro anos no Grêmio, tem contrato só até o fim do ano e, convenhamos, o desgaste é claro. Já deu. Seria muito melhor que o maior ídolo da história gremista saísse de uma forma bacana do que uma ruptura em função de crises ou resultados. O Grêmio não conseguiu reconstruir o elenco após o título da Libertadores e anos de bom futebol. Renato não vai admitir, mas deve estar é bem arrependido de não ter ido para o Flamengo quando teve a chance.

O Palmeiras contrataria um treinador que 1) conhece futebol; 2) tem costas largas para aguentar a pressão inerente ao futebol brasileiro; 3) deve estar numa pilha danada para destronar o Flamengo; 4) já mostrou que sabe fazer times jogarem de forma ofensiva e ganhadora; 5) prioriza mata-mata, que é também a prioridade palmeirense. Renato tem um perfil muito próximo do que o Palmeiras busca, na minha visão.

E acho que viria correndo, pois é a chance de pegar um grande orçamento e parar de dar nó em pingo d'água.

A opção a Renato seria Tiago Nunes. Um ano atrás, o cara era um dos técnicos mais badalados do país, campeão da Copa do Brasil, líder de um time vertical, ofensivo e intenso (o Athlético-2019). Será que ele desaprendeu tanto assim?

Será que o Corinthians, com a tal tentativa de mudar de filosofia, mas sem elenco para tal, sem dinheiro e sem bons valores na base, não era um abacaxi complicado demais para ser descascado?

Há, inclusive, dois jogadores no elenco do Palmeiras que brilharam no Athlético de Nunes - Raphael Veiga e Rony. Existe material humano ali para fazer o time jogar bola do jeito que a torcida palestrina gosta.

Tiago chegaria chamuscado pela experiência corintiana, é verdade, e não tem a personalidade de Renato Gaúcho. Por outro lado, ele eliminou o Flamengo de Jesus em um mata-mata, está no curriculum.

São duas soluções "made in Brazil" e que se encaixam nas intenções da diretoria do Palmeiras.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL