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Julio Gomes

Neymar supera Ronaldo em gols e nos clubes. Mas e na seleção?

Neymar homenageia Ronaldo após marcar para o Brasil contra o Peru - Daniel Apuy/Getty Images
Neymar homenageia Ronaldo após marcar para o Brasil contra o Peru Imagem: Daniel Apuy/Getty Images
Julio Gomes

Julio Gomes é jornalista esportivo desde que nasceu. Mas ganha para isso desde 1998, quando começou a carreira no UOL, onde foi editor de Esporte e trabalhou até 2003. Viveu por mais de 5 anos na Europa - a maior parte do tempo em Madrid, mas também em Londres, Paris e Lisboa. Neste período, estudou, foi correspondente da TV e Rádio Bandeirantes e comentarista do Canal+ espanhol, entre outras publicações europeias. Após a volta para a terrinha natal, foi editor-chefe de mídias digitais e comentarista da ESPN e também editor-chefe da BBC Brasil. Já cobriu cinco Copas do Mundo e, desde 2013, está de volta à primeira das casas.

14/10/2020 04h00

Neymar ultrapassou Ronaldo ontem e transformou-se no segundo maior artilheiro da história da seleção brasileira, só atrás de Pelé. Foram três gols contra o Peru, chegando a 64 oficiais, contra 62 do Fenômeno. É possível, provável até, que Neymar supere Pelé um dia.

Qual o lugar de Neymar na história da seleção?

Em um país como o nosso, hipertradicional no futebol, com gerações atrás de gerações de grandes talentos, não é pouca coisa ter sido - ou ser, no caso de Neymar - o melhor. E ele é o melhor da década indiscutivelmente. Pensem em quem foi o melhor da década anterior, dos anos 2000. Ou da outra ainda, anos 90. Está claro para vocês? Não, não há um nome único.

Muitos dirão Ronaldo para ambas as décadas ou uma delas. Ronaldo explode mundialmente em 1996 e vai ser pentacampeão do mundo em 2002.

Para mim, não há comparação entra as carreiras de Neymar e Ronaldo em clubes. Neymar foi e é mais relevante e eficiente. Isso vale tanto para o que ambos fizeram no Brasil quanto na Europa. Alguém pode argumentar que a carreira de Ronaldo foi prejudicada pelas lesões no futebol europeu - e é verdade, mas não há o que se possa fazer sobre isso.

O fato é que Neymar ganhou a Europa no Barcelona como protagonista, transformou-se no jogador mais caro do mundo e quase levou o Paris Saint-Germain a um título inédito de Champions. Ronaldo nunca foi campeão nem da Libertadores nem da Champions League.

Mas e na seleção? Neymar tem chances de superar o Fenômeno? Hoje, esse debate parece até bobo, porque a Copa do Mundo tem um peso incomparável aos de Copas Américas, Copas das Confederações, Olimpíadas, etc.

Mas e se o Brasil for campeão em 2022?

A própria história de Ronaldo mostra como redenções são possíveis. Em 1994, ele era só um garoto. Em 98, deixou o país na mão. Mas, em 2002, deu a volta por cima e entrou para o Olimpo. Em 2006, mandou mal pela forma e pela atitude, mas não o suficiente para se queimar.

Vamos parar para imaginar por um segundo. O que teria sido da imagem de Ronaldo para o brasileiro, não houvesse a redenção em 2002?

Neymar deveria ter sido o Ronaldo de 2010, mas não foi por opção de Dunga. Fazia uma boa Copa em 2014, sofreu a lesão, escapou do 7 a 1. A de 2018 deveria ter sido a Copa dele, mas foi a grande queimada mundial de filme da carreira de Neymar. Agora, em 2022, ele tem a chance da redenção. Vejam, ele não fracassou por motivos médicos, como Ronaldo, e, sim, comportamentais dentro e fora de campo. Então é uma redenção que precisa ocorrer em grandíssimo estilo.

Não há dúvidas. No futebol brasileiro, Neymar pode superar até Pelé em gols. Mas, se não tiver uma Copa do Mundo na mochila, nunca será considerado nem top 10. Se isso é justo ou não, deixo para vocês opinarem.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL