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Fortaleza x São Paulo, que jogaço! Ceni e Diniz fazem bem ao futebol

Rogério Ceni instrui o Fortaleza na ida das oitavas de final da Copa do Brasil, contra o São Paulo - Kely Pereira/AGIF
Rogério Ceni instrui o Fortaleza na ida das oitavas de final da Copa do Brasil, contra o São Paulo Imagem: Kely Pereira/AGIF
Julio Gomes

Julio Gomes é jornalista esportivo desde que nasceu. Mas ganha para isso desde 1998, quando começou a carreira no UOL, onde foi editor de Esporte e trabalhou até 2003. Viveu por mais de 5 anos na Europa - a maior parte do tempo em Madrid, mas também em Londres, Paris e Lisboa. Neste período, estudou, foi correspondente da TV e Rádio Bandeirantes e comentarista do Canal+ espanhol, entre outras publicações europeias. Após a volta para a terrinha natal, foi editor-chefe de mídias digitais e comentarista da ESPN e também editor-chefe da BBC Brasil. Já cobriu cinco Copas do Mundo e, desde 2013, está de volta à primeira das casas.

14/10/2020 21h17

É quase impossível pedir para eliminarmos a paixão torcedora ao analisar Fortaleza x São Paulo. É simplesmente emoção demais para o são-paulino ver o time em campo, Diniz em um banco, Rogério Ceni do outro. E ainda mais na Copa do Brasil, o torneio que sempre resistiu a entrar na recheada galeria de troféus tricolor.

Eu sei, eu sei de tudo isso. As cornetas soam em demasia, a irracionalidade fala alto, o contexto geral influencia demais em qualquer análise. Em determinado momento, parece que tudo o que Ceni faz está certo, tudo o que Diniz faz está errado. Mas, claro, a realidade é outra.

São dois técnicos que fazem bem ao futebol brasileiro. Quem não estiver afetado por tudo isso deve ter gostado - e muito - do que viu. No fim, o 3 a 3 ficou de ótimo tamanho no Castelão, em um dos jogos mais legais da temporada. É jogo para aplaudir, não para cornetar.

Foi um grande jogo entre dois times agradáveis de se ver em campo. Ninguém ali odeia a bola, ninguém advoga pelo antifutebol, ninguém apela para a violência. Foram dois times que procuraram jogar bola o tempo todo e nunca abdicaram de nada, com coragem.

Com erros também. Muitos! Estamos falando do futebol brasileiro, afinal, com todas as suas limitações. O time de Diniz segue errático na marcação das bolas paradas e lento na transição defensiva. Com Luciano e Brenner, ganhou poder de área. No quarto final da partida, com um a mais, afunilou demais o jogo e abusou do chuveirinho, mas teve chances, uma atrás da outra, até empatar.

O empate saiu quando Daniel Alves conseguiu, afinal, chegar à linha de fundo. E poderia até ter virado, não fossem grandes defesas do goleiro reserva do Fortaleza nos acréscimos.

Para um time que jogava em casa, o Fortaleza aceitou demais o jogo são-paulino no 11 contra 11, mostrou novamente força na bola aérea e teve os contra ataques que queria ter. Na reta final, teve muita concentração e um pouco de sorte para manter o 3 a 3.

Ah, teve o VAR, né? Felipe Alves, goleiro do Fortaleza, foi expulso após a intervenção do VAR. Em um contra ataque são-paulino, Brenner, recebeu, tocou e foi derrubado pelo goleiro. É um lance de interpretação, sobre o domínio do atacante e sobre a chance de gol. Poderia ser amarelo ou vermelho. O juiz decidiu dar amarelo. Não tem que ter VAR para fazê-lo reinterpretar o lance após 10 minutos de espera.

Querem mais? Outro VAR aos 54min do segundo tempo. Quase saiu um pênalti para o São Paulo que eu também não daria. O VAR é um stress! Mas estamos aprendendo a relevar o VAR.

Se bobear, vai ter gente falando que o São Paulo só empatou quando Fernando Diniz foi expulso! Eu prefiro dar risada no Twitter e não perder o jogo de volta de jeito nenhum.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL