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Julio Gomes

Por que é bom ficar de olho na jovem seleção da Espanha

Ansu Fati, em jogo da Espanha contra a Ucrânia, pela Liga das Nações - Gonzalo Arroyo Moreno/Getty Images
Ansu Fati, em jogo da Espanha contra a Ucrânia, pela Liga das Nações Imagem: Gonzalo Arroyo Moreno/Getty Images
Julio Gomes

Julio Gomes é jornalista esportivo desde que nasceu. Mas ganha para isso desde 1998, quando começou a carreira no UOL, onde foi editor de Esporte e trabalhou até 2003. Viveu por mais de 5 anos na Europa - a maior parte do tempo em Madrid, mas também em Londres, Paris e Lisboa. Neste período, estudou, foi correspondente da TV e Rádio Bandeirantes e comentarista do Canal+ espanhol, entre outras publicações europeias. Após a volta para a terrinha natal, foi editor-chefe de mídias digitais e comentarista da ESPN e também editor-chefe da BBC Brasil. Já cobriu cinco Copas do Mundo e, desde 2013, está de volta à primeira das casas.

10/10/2020 04h00

A Liga das Nações da Uefa é retomada neste sábado e serão dois jogos pela “primeira divisão”: Espanha x Suíça, em Madrid, e Ucrânia x Alemanha, em Kiev. Depois de empatar na Alemanha, na estreia, a seleção espanhola goleou a Ucrânia por 4 a 0 e é a líder do grupo, com quatro pontos — são três dos ucranianos, dois dos alemães e só um dos suíços. O primeiro colocado do grupo avança para as finais da Nations League, e supostamente o segundo duelo entre Espanha e Alemanha, na última rodada, em 17 de novembro, definirá a vaga.

A Alemanha é uma seleção que passou por transição após o tetra, em 2014, mas manteve o trabalho de Joachim Low e já tem de novo uma seleção fortíssima. Já a Espanha é uma seleção nova, sendo transformada pouco a pouco por Luís Enrique, em busca de um estilo. Ou seja, em teoria, este grupo era para a Alemanha. Mas…

É preciso ficar de olho bem aberto, a Espanha começa a lançar nomes muito interessantes. À primeira vista, de forma prematura, alguém pode achar. Mas se olharmos para os clubes em que esses caras jogam, os minutos que têm e o talento que mostram, o que temos mesmo é apenas coragem e visão por parte do treinador — e não precipitação.

O nome que mais chama a atenção é o de Ansu Fati, que virou titular na seleção antes mesmo de ganhar o mesmo status no Barcelona. É um garoto de 17 anos (quase 18), que, vejam só, nunca viu a seleção brasileira ser campeã do mundo (!!!).

Nasceu em outubro de 2002. Nascido em Guiné-Bissau, imigrou com a família para a região de Sevilla quanto tinha 6 anos. Aos 10, foi levado para “La Masía” e se formou no Barcelona. Representa, hoje, a grande esperança do clube para a era pós-Messi, que se aproxima. No primeiro jogo como titular na Espanha, já meteu um golaço e foi o grande nome do jogo contra a Ucrânia. Um jogador leve, rápido, de drible e gol, Fati é a personificação desta nova Espanha.

Mas, claro, não há só ele. Eric García, 19 anos, Ferrán Torres, 20, e Rodri, 24, jogadores que estão aprendendo alguma coisa no Manchester City. Reguilón, 24, do Tottenham. Dami Olmo, 22, que ajudou o Leipzig a ser semifinalista da Champions. No amistoso contra Portugal, quarta, teve também a estreia de Adama Traoré, 24 anos, que explode com a camisa do Wolverhampton. Traoré foi o nome mais falado da semana pela imprensa espanhola.

Tem muita gente de qualidade e, no meio deles todos, uma coluna vertebral com De Gea, Carvajal, Sergio Ramos e Busquets. Não são mais tempos de Puyol, Xavi, Iniesta, Silva, Villa ou Torres. Mas a Espanha consegue encontrar uma nova geração que pode dar o que falar. É bom ficar de olho desde já.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL