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Cuidado! As críticas a Diniz escondem a defesa a um futebol mais tosco

Tchê Tchê disputa bola com Paul Zunino durante LDU x São Paulo pela Copa Libertadores - José Jácome-Pool/Getty Images
Tchê Tchê disputa bola com Paul Zunino durante LDU x São Paulo pela Copa Libertadores Imagem: José Jácome-Pool/Getty Images
Julio Gomes

Julio Gomes é jornalista esportivo desde que nasceu. Mas ganha para isso desde 1998, quando começou a carreira no UOL, onde foi editor de Esporte e trabalhou até 2003. Viveu por mais de 5 anos na Europa - a maior parte do tempo em Madrid, mas também em Londres, Paris e Lisboa. Neste período, estudou, foi correspondente da TV e Rádio Bandeirantes e comentarista do Canal+ espanhol, entre outras publicações europeias. Após a volta para a terrinha natal, foi editor-chefe de mídias digitais e comentarista da ESPN e também editor-chefe da BBC Brasil. Já cobriu cinco Copas do Mundo e, desde 2013, está de volta à primeira das casas.

22/09/2020 23h22

O São Paulo levou uma goleada no Equador, está virtualmente eliminado da Libertadores e Fernando Diniz, novamente, será o grande bombardeado. Se vai ser mantido no cargo ou não, veremos. Diniz é daqueles treinadores que estão sempre na berlinda e isso não vai mudar rapidamente.

Mas cuidado! Muitas críticas ao trabalho de Diniz são um enorme desserviço ao já capenga futebol que se joga no Brasil. Em especial, falo das críticas às saídas de bola, chamadas pejorativamente de "saidinhas de Diniz".

Amigas e amigos: não existe mais chutão no futebol de alto nível. É simples assim. Assistam aos principais times da Europa jogar e vocês verão todos - eu disse todos - os times começando o jogo desde trás. Não existe mais time top do mundo que fique dando chutão e fazendo ligação direta. Todos saem jogando e querem ter a bola, não ficar dando de graça para o adversário com chutões. Não é mais coisa só de Guardiola ou um outro "idealista", simplesmente é este o futebol dos dias de hoje.

Em vez de meter o pau na "saidinha do Diniz", mais útil seria meter o pau nos técnicos de base que não estão treinando os garotos a jogar o futebol de hoje em dia. O que queremos? Futebol de chutão, bola quebrada, o velho bumba-meu-boi que marca o nosso futebol há anos?

Se queremos criticar o treinador pela execução, é justo. Não sei se é culpa do treinador que um jogador execute um passe patético como o de Igor Gomes para Hernanes, no lance do segundo gol da LDU. Mas, sem dúvida, é culpa do treinador que esta seja a maneira de sair de trás - tanto que lá na área estavam seus meias, em teoria, seus melhores passadores.

Diniz treina mal? Dizimou o elenco? Não consegue organizar o time defensivamente? Pode ser. Tudo pode ser.

O que não pode ser é ficar ironizando e esculachando a saída de bola desde trás com troca de passes, que é o futebol jogado hoje em dia, em nome da eternização do futebol tosco.

Critiquem a execução à vontade. Mas não a ideia!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL