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A nova Holanda tenta recomeçar sem o carisma de Koeman

Virgil Van Dijk, da Holanda - Soccrates Images/Getty Images
Virgil Van Dijk, da Holanda Imagem: Soccrates Images/Getty Images
Julio Gomes

Julio Gomes é jornalista esportivo desde que nasceu. Mas ganha para isso desde 1998, quando começou a carreira no UOL, onde foi editor de Esporte e trabalhou até 2003. Viveu por mais de 5 anos na Europa - a maior parte do tempo em Madrid, mas também em Londres, Paris e Lisboa. Neste período, estudou, foi correspondente da TV e Rádio Bandeirantes e comentarista do Canal+ espanhol, entre outras publicações europeias. Após a volta para a terrinha natal, foi editor-chefe de mídias digitais e comentarista da ESPN e também editor-chefe da BBC Brasil. Já cobriu cinco Copas do Mundo e, desde 2013, está de volta à primeira das casas.

04/09/2020 04h00

No meio do "caso Messi" nem se falou muito nisso. Mas tivemos, no último mês de agosto, talvez uma das maiores demonstrações da história de como, hoje, clubes são muito mais importantes que seleções no futebol. A saída de Koeman da Holanda para o Barcelona.

Nem virou novela ou polêmica. Foi natural, como quando um jogador deixa um time pequeno e é comprado pelo grande. Koeman não pensou duas vezes quando recebeu o chamado de seu ex-clube, um dos maiores do mundo. E deixou a seleção de seu país a ver navios.

A partir desta sexta, a Holanda tenta dar sequência a algo bacana que começou com Koeman. E que pode, por que não, ser continuado por outro treinador competente. Mas não convém dar por garantido um voo tranquilo e sem sobressaltos.

A Laranja estreia às 15h45 na Liga das Nações da Europa contra a Polônia, que não terá seu grande nome, o possível melhor do mundo, Lewandowski. Depois de ficar fora da Euro-16 e da Copa-18, a Holanda renasceu justamente a partir de fevereiro de 18, quando Koeman assumiu o comando da renovação.

Logo depois da Copa, veio a primeira Liga das Nações, e a Holanda ficou perto do título. Antes de perder para Portugal na decisão, ganhou um grupo que tinha simplesmente a França e a Alemanha, as duas últimas campeãs do mundo. Meio que simultaneamente, o Ajax também renascia com uma semifinal de Champions League e um elenco jovem e promissor. Enquanto isso, na Inglaterra, o zagueiro Van Dijk era campeão de tudo com o Liverpool e colocava-se na briga para ser eleito Bola de Ouro.

De repente, em um estalar de dedos, o futebol da Holanda renasceu. E as peças encaixaram bem na seleção, sob o comando de um cara respeitado e carismático.

"Ronald me deixa um grande legado, mas muita pressão também. Esta geração é mais do que promissora", disse à revista "Voetbal" o técnico interino Dwight Lodeweges. Um profissional que passou por clubes de pouca expressão e nem mesmo tem a pretensão de ficar no cargo.

Ao longo da semana, o grupo de jogadores se reuniu com a comissão técnica e pode "expor algumas opiniões", segundo o capitão, Van Dijk. Ele é o grande líder de um time que tem também De Jong (Barcelona), Wijnaldum (Liverpool), De Ligt (Juventus), Van der Beek (agora no Manchester United)...

Muita gente que pintou, que já classificou a Holanda para a Euro (que seria em 2020 e ficou para 2021) e agora tenta manter o momento, mesmo sem Koeman, nesta Liga das Nações.

"Não estou preocupado, tem um grupo de qualidade. Mas eu sei também, e sei bem disso, que este time precisa de um técnico carismático", falou o interino Lodeweges.

A imprensa fala no nome de Van Gaal. Melhor tomar cuidado para não exagerar no carisma.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL