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Guardiola tem noite de professor Pardal em Lisboa

Pep Guardiola, técnico do Manchester City - Miguel A. Lopes/Pool via REUTERS ORG XMIT: AI
Pep Guardiola, técnico do Manchester City Imagem: Miguel A. Lopes/Pool via REUTERS ORG XMIT: AI
Julio Gomes

Julio Gomes é jornalista esportivo desde que nasceu. Mas ganha para isso desde 1998, quando começou a carreira no UOL, onde foi editor de Esporte e trabalhou até 2003. Viveu por mais de 5 anos na Europa - a maior parte do tempo em Madrid, mas também em Londres, Paris e Lisboa. Neste período, estudou, foi correspondente da TV e Rádio Bandeirantes e comentarista do Canal+ espanhol, entre outras publicações europeias. Após a volta para a terrinha natal, foi editor-chefe de mídias digitais e comentarista da ESPN e também editor-chefe da BBC Brasil. Já cobriu cinco Copas do Mundo e, desde 2013, está de volta à primeira das casas.

15/08/2020 17h51

Pep Guardiola também erra. Venho há tempos falando que o Manchester City não mostrava, nos mata-matas, ser tão confiável quanto nos jogos de pontos corridos ao longo da temporada. Depois de perder a Copa da Inglaterra para o Arsenal, agora o City foi eliminado da Liga dos Campeões da Europa pelo Lyon.

A um jogo, tudo pode acontecer, dirão os defensores de Pep. Bem, as eliminações dos últimos três anos, para Monaco, Liverpool e Tottenham foram em dois jogos...

São quatro edições de Champions League de Guardiola no City nem chegar nem às semifinais. Já são oito seguidas do catalão sem chegar à final (uma pelo Barça e três pelo Bayern). É muita coisa, não é não?

Guardiola resolveu espelhar o desenho tático do Lyon e colocou seu time com três zagueiros. A ideia era ser um 3-4-3, adiantando De Bruyne. Não é a maneira como o City jogou a temporada toda. Os times de Guardiola sempre submeteram os adversários, não mudaram seu jeito de jogar por causa do outro. Na prática, ficou um 5-2-3 sem sentido.

Resultado: um primeiro tempo em que o City passou 26 minutos sem sequer finalizar. O Lyon ficou muito confortável em campo, foi o melhor time e chegou ao primeiro gol. O City passou a ter mais posse de bola ainda, mas sem criar chances claras. De Bruyne é muito mais eficiente vindo de trás, jogando de área a área, do que lá na frente sem receber bolas.

Só aos 11min do segundo tempo Guardiola corrigiu seu erro. Colocou Mahrez e tirou Fernandinho, e aí o City passou a sufocar e amassar o adversário. Chegou ao empate e já se aproximava da virada. Só que, em um lance fortuito, levou o 2 a 1. Depois, viu Sterling perdeu um dos gols mais feitos da história. E levou o 3 a 1 definitivo, outro gol de Dembele.

O Alvalade, que viu o RB Leipzig surpreender o Atlético de Madrid, vê também o Lyon surpreender o City. Duas zebras - a de hoje, gigantesca.

Bernardo Silva e Foden viram os 90 minutos mais acréscimos... do banco. Guardiola deixou o time errado em campo por 56 minutos. Vai reclamar da sorte? Quanto menos tempo de jogo, maior as possibilidades de a sorte atuar. É assim no poker, no futebol, na vida...

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL