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Julio Gomes

Simeone é o grande vilão da eliminação do Atlético para o RB Leipzig

João Félix comemora gol marcado pelo Atlético contra o Leipzig, na Liga dos Campeões - Julian Finney - UEFA
João Félix comemora gol marcado pelo Atlético contra o Leipzig, na Liga dos Campeões Imagem: Julian Finney - UEFA
Julio Gomes

Julio Gomes é jornalista esportivo desde que nasceu. Mas ganha para isso desde 1998, quando começou a carreira no UOL, onde foi editor de Esporte e trabalhou até 2003. Viveu por mais de 5 anos na Europa - a maior parte do tempo em Madrid, mas também em Londres, Paris e Lisboa. Neste período, estudou, foi correspondente da TV e Rádio Bandeirantes e comentarista do Canal+ espanhol, entre outras publicações europeias. Após a volta para a terrinha natal, foi editor-chefe de mídias digitais e comentarista da ESPN e também editor-chefe da BBC Brasil. Já cobriu cinco Copas do Mundo e, desde 2013, está de volta à primeira das casas.

13/08/2020 18h00

Não há como não apontar o dedo para Diego Simeone. O técnico mais bem pago do mundo não pode simplesmente prescindir de um jogador como João Félix e colocar seu time para jogar uma eliminatória única de Liga dos Campeões da Europa como se fosse uma eliminatória a dois jogos.

Não havia espaço para especulação. O RB Leipzig, com os 2 a 1 no José Alvalade, será o adversário do Paris Saint-Germain na semifinal de terça-feira, em Lisboa - ótima notícia para Neymar, Mbappé e companhia, convenhamos.

O Leipzig é um bom time de futebol, taticamente comprometido e que sabe bem o que quer: jogar em velocidade, como no lance do segundo gol, aos 43min do segundo tempo. Foi um jogo equilibrado, em que o time alemão abusou das faltas e aproveitou os pontos fracos do Atlético.

Um Atlético que segue com a sina de Robin Hood. Elimina o Liverpool, campeão de tudo, para cair diante de um clube novato na Champions. Na Liga espanhola, é a mesma coisa: não consegue disputar o título porque vai deixando pontos pelo caminho contra times pequenos.

O grande pecado de Simeone foi deixar João Félix no banco. A maior contratação da história do clube. Por mais instável que tenha sido a temporada do jovem português e por mais que ele não tenha a mesma intensidade tática do resto do time, não era possível deixá-lo de fora. O Atlético é um time incrível taticamente, as transições e recomposições são perfeitas, mas falta um jogador anárquico para criar jogo, para fazer algo acontecer no ataque.

No primeiro tempo, o Atlético jogou somente pela esquerda, com Renan Lodi e Carrasco, o que facilitou a marcação do Leipzig. No segundo tempo, o time alemão fez o gol logo no início e o Atlético teve de correr atrás. Quando Félix entrou, o jogo mudou. O Atlético passa a ser o melhor time em campo, chega ao empate (pênalti sofrido e convertido pelo português) e dá a impressão de estar perto da virada.

Poderia ter ido para cá ou para lá. Uma prorrogação até teria sido o mais justo e lógico. Mas, em uma bola viva no meio de campo, um único erro de recomposição acaba no segundo gol dos alemães, que estavam perdidos em campo naquele momento.

Simeone, temos uma notícia para você: Não há partida de volta desta vez.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL